Fim do mundo


O som da britadeira à uma da madruga se mistura ao meu sono. Não sei mais se o barulho vem da rua ou se é o vizinho de cima que despeja baldes de pedra em minha cabeça por um buraco no teto. Coberta de poeira, tento ao máximo impedir que as pedras me atinjam, tarefa árdua.
Abro os olhos, três da manhã, o barulho não para. Socorro, é o começo do apocalipse, só pode!

É mole?

Ele presenciou uma cena super chata: o namorado dando ordens e destratando a namorada na frente de toda a família. Ela, linda, loira e simpática, praticamente uma Helena enviada aos trópicos, como aceitava tal tratamento? Será que estava sendo paga? Não era possível.
Agora ele acha que é o melhor namorado do mundo, é mole?

um dia que entrou para a história

Hoje, 16 de dezembro de 2012, vai ficar para a posteridade como:
- no âmbito mundial: o dia em que o Timão levantou a taça de campeão dos campeões. (uhuuu!)
- no âmbito familiar: aniversário de 85 anos da minha batianzinha querida e despedida da Babi-chan, priminha que parte para a Holanda.
- no âmbito pessoal: o dia em que eu quase morri de tanto comer.

Festa dos Livros

Não era o empurra-empurra da multidão que se apertava em frente ao balcão da Cia das Letras que o incomodava; nem mesmo o cansaço, a fome ou o peso da mochila cheia de livros gordos. Era a caneta bic que tinha sumido de suas vistas: "E agora? Como vou assinar minha folha de ponto no trabalho amanhã?!"
Realmente, o funcionalismo público me dá medo.

Barulho ou localização?

Nessa vida lôca e paulistana a gente aprende rapidinho que não se pode ter tudo, principalmente se o seu salário não acompanha o ritmo do mercado imobiliário. E olha que eu nem queria muito, um dois quartos com sala espaçosa, boa localização, mas tranquilo durante a noite, floreira na janela e sacadinha.
Bom, vou me mudar em breve para um apê apelidado carinhosamente de "Cortição". É o que cabe no bolso... cabe naquelas, né?
Pior que se depender da minha organização... o CAOS será instaurado rapidinho.

Coristina D

Sabe esses comerciais de remédio antigripal? Esses que mostram a pessoa doente e acabada, assoando o nariz sem parar e espirrando como uma metralhadora desgovernada; depois, entra em cena o amigo saudável, aquele que oferece a salvação: uma bolinha mágica? Pois é, eles são reais! Eu protagonizei um hoje.
Quem me conhece sabe que sou intrometida e falo (abobrinhas) pelos cotovelos, principalmente em um estado de ansiedade acima do normal. Bom, estava eu lá aguardando na recepção para entregar uns documentos na imobiliária, quando noto que a recepcionista está fanha, com o olhar cansado, lenço de papel sobre a mesa... pronto não dá outra:
- Nossa, você está doente?
- Sim, é holível, tô glipada no velão, vê se pode!
- Putz, semana passada fique assim também, mas aí tomei um comprimido e melhorei rapidinho. Você conhece o XXXX? (ocultei o nome do medicamento, isso não é um blog de comerciais!)
- Nao.
- É muito bom, foi o farmacêutico que me indicou, e não dá sono porque tem cafeína.
- Sélio, acho que vou compla.
- Ei, eu tenho um aqui, quer? 
Tiro a cartela da bolsa, a câmera focaliza e corta.
Fundo azul, mulher famosa e atraente entra em cena segurando o remédio, sorri e diz: "Com XXXX a gripe não tem vez". Corta.
[O ministério da saúde adverte: este medicamento é contra indicado em caso de suspeita de dengue.]
Só esqueci de mencionar que, no meu caso, tomei com cerveja, vai saber se não foi isso que potencializou o efeito.

O Adriano tem memória, eu não

Andar pela cidade é remexer o caldeirão borbulhante da memória. Bom, pelo menos é para o Adri... "Foi aqui que extrai os dentes do siso", ele diz apontando para uma casinha branca em algum lugar em Pinheiros. "Já expus nesse prédio". Oi? "É, quando estava no primário a escola fez um convênio para expor os desenhos dos alunos, era um hotel antigamente. Eu desenhei uma praia e um cara saltando na água de uma pedra e..."(neste momento, já estou boquiaberta, ele está lembrando até as cores do desenho!). Mais a frente: "Eu e o João já tagueamos esse muro, pena que ele foi pintado".
Como pode? Tenho dificuldade até para lembrar o caminho de casa! Pergunto-me até hoje onde era o consultório da primeira dentista que me atendeu em São Paulo; ela era tão boa... pena que não guardei o endereço, nem o nome dela eu lembro.
Ele é bom também com nomes também. Filmes, diretores, atores, romancistas, filósofos, políticos, novos, velhos, mortos, tudo; ele lembra e eu não.
Dia desses, conversando sobre a mostra do Louis Malle, afirmei categoricamente: só vi um filme dele, tem um tempão já, na época da faculdade. "A gente viu juntos Os amantes esse ano". Não vi. "Viu". Não vi. "Viu". Não vi, não vi e não vi! "Era sobre uma mulher que vai a Paris passear com amiga e começa a trair o marido com um jogador de pólo famoso". Ok, eu vi.
Agora ele quer me convencer que jantei em um restaurante em que não jantei. Acho que vou acreditar.

Da série "dia a dia com Mila Mainardi"

"Experimenta esse vinho, você vai gostar."
É doce?
"Gabi, o amor é doce, o vinho não precisa ser."

Ansiedade

Ele corrigindo meu trabalho.
E aí, muito ruim?
Silêncio.
Poxa, está tão ruim assim?
"Vou pegar um café."
Só preciso de um cinco!

A vida é feita de encontros

"Uma tarde chuvosa fiquei com desejo de um daqueles sanduíches de queijo com alface. Procurei em nossas coisas e achei exatamete 55 centavos, coloquei as moedas em minha capa de chuva cinza, com meu chapéu Maiakóviski, e fui ao Automat.
Peguei minha bandeja e depositei as moedas, mas o vidro não abriu. Tentei de novo sem sorte e então reparei que o preço havia subido para 65 centavos. Estava desapontada, para dizer o mínimo, quando ouvi uma voz: 'Posso ajudar?'.
Virei-me e ali estava Allen Ginsberg. Nunca havíamos nos encontrado antes, mas sem dúvida era um dos grandes poetas e ativistas do país. (...) Allen acrescentou os dez centavos que faltavam e ainda me pagou um café. Sem palavras, acompanhei-o até a mesa, e então ataquei o sanduíche.
Allen se apresentou. Ele falava sobre Walt Whitman e comentei que havia sido criada perto de Camden, onde Whitman fora enterrado, quando ele se inclinou para mim e olhou com mais atenção. 'Você é menina?', perguntou.
'Sou', falei. 'Algum problema?"
Ele só deu risada. 'Desculpe. Achei que você fosse um menino bonito.'
Então entendi tudo.
'Bem, isso quer dizer que devo devolver o sanduíche?'
'Não, aproveite. O engano foi meu.'
(...) Algum tempo depois Allen se tornou meu bom amigo e professor."
(Patti Smith, Só Garotos, p. 119)

A felicidade é...


Às vezes eu troco a saladinha do por quilo por um folhado de palmito e um suco da Casa do Pão de Queijo. Eu sei, comida de plástico... mas a Berrini é um tumulto no horário do almoço! Prefiro a companhia de um livrinho e o silêncio dos fundos do café.
Nem sempre o que é saudável para o corpo faz bem para a alma.

Mostra?

Mostro muito.
.....
Eu já sabia. No momento em que passei a caneta no título do filme que estava prestes a começar, lembrei: "Não, Gabriela, está errado! Você nunca pode marcar o filme como visto no guia sem efetivamente tê-lo visto. Vai dar merda. É como gritar gol com o time no ataque, o gol não sai!"
Não deu outra. Depois de 30 minutos de espera, nem sinal da sessão começar. Já passava das 11, desisti. Maldita projeção digital!

Molloy

"Mas eis que de repente surgiu diante de mim uma mulher grande e gorda vestida de negro, ou melhor, de malva. Ainda hoje me pergunto se não era a assistente social. Me estendeu uma tigela cheia de um suco cinzento que devia ser chá verde com sacarina e leite em pó, num pires desemparelhado. E não era só isso, pois entre a tigela e o pires se equilibrava precariamente um grande pedaço de pão seco, que me fez começar a dizer, com uma espécie de angústia, Vai cair, vai cair, como se isso tivesse importância que caísse ou não. Um momento depois eu mesmo já segurava, nas mão trêmula, esse pequeno ajuntamento de objetos heterogêneos e oscilantes, em que se avizinhavam o duro, o líquido e o mole, e sem entender como a transferência se efetuara. Vou lhes dizer uma coisa, quando as assistentes socias oferecem algo para você não ter um passatempo, de graça, o que para elas é uma obsessão, não adianta recusar, elas o perseguirão até os confins da terra. (...) Não, contra o gesto caridoso não há defesa, que eu saiba." (p. 44)

O cúmulo da preguiça

Morando onde atualmente moro em Sp, o cúmulo da preguiça é fazer compras online na Livraria Cultura e solicitar a entrega em casa. Mas calma que o frete é grátis!
Eu devia parar e pensar no aumento de poluição que essa comodidade gera... só que não.

A gente cresce...

Roba-monte, tapa e porco eram os meus jogos de cartas preferidos. Lembro de me divertir horrores brincando com meus irmãos e primos enquanto a Batian fazia o jantar. 
No último feriado, jogar porco só foi engraçado quando o Adri abaixou o grupinho de cartas errado, com o coringa no meio da quadra. (Acho que a infância dele não teve baralho.)
Mas quando foi que essas coisas perderam a graça?
Ainda bem que perdi meu tamagotchi na escola.

Vota logo e não enche o saco

Passei o domingo escutando "meus pêsames" e coisas do gênero. Ok, eu entendo, todo mundo sabe que trabalhar pela democracia está longe de ser divertido. Mas até aí, mesário nehum precisa ser lembrado disso.
Depois da experiência prática, pensei em fundar o movimento "TRABALHO DE MESÁRIO TEM QUE SER ASSALARIADO". Pronto, bastaria para chover gente querendo ganhar um extra. Duvido que encontraríamos voluntários de cara amarrada, ou dondocas contando vantagem por ter o dia livre pela frente. 
Não é possível pagar por tantos funcionários? Então, crio o movimento "PARA VOTAR NÃO PRECISA FALAR". Entre, vote e saia calado. É uma ótima ideia para evitar as brincadeiras inoportunas mas, por outro lado, acabaria com a nossa diversão: de que observações e perguntas bestas iríamos rir?
Sim, vou trabalhar no segundo turno e não me sinto feliz.
....

No Jardins, as patis e vovós endinheiradas não mediram esforços para nos entreter:

- Votei no prefeito, e agora? como voto no vereador?
- Ixi, o Sidney vai ficar sem um voto.
- Ai, anotei o número errado!
- Não dá para votar pelo nome?
- Qual o número do Serra? (Aqui o auto-controle foi tudo)
- É vereador primeiro mesmo?
- Como eu anulo?
- Não tá aparecendo foto nenhuma.
- Precisa de documento com foto?!!

Beleza não põe mesa

Quando almoço no quilo, não resisto aos encantos da coisinha verde mais fofa que a "evolução" das espécies resultou: couve de bruxelas. Que miniatura de vegetal mais linda! É impossível passar por elas e não me servir de algumas.
Mas depois, na hora em que dou a primeira mordida, logo lembro: gente, eu não gosto de couve de bruxelas!

A berinjela nunca me decepciona.

p. 328

"Quando Julien Sorel, poucas horas antes de ser guilhotinado, tenta dominar seu medo e impor silêncio à sua emoção pensando sem trégua sobre sua vida e morte, profere estas palavras de uma profundidade sublime: 'Os homens de salão nunca se levantarão pela manhã com esse pungente pensamento: Como irei almoçar?'. E Stendhal, poucas linhas adiante, atribui-lhe este comentário: 'Não existe nenhum direito natural. [...] Só existe direito quando existe uma lei proibindo que se faça algo, sob pena de punição. Antes da lei, de natural só existe a força do leão, ou a necessidade do ser que sente fome, sente frio, em uma palavra a necessidade...'" (Lanzmann, A lebre da Patagônia)
(o grifo é de Stendhal)

Baseado em fatos reais

Por que quando acaba o pão
sempre se tem requeijão?
E quando chega o pão
Nunca encontra o requeijão?

Sobre como controlar o drama

"Quando eu te vi fechar a porta, eu pensei em me atirar pela janela do 8° andar. Invés disso eu dei meia volta e comi uma torta inteira de amora no jantar."

http://www.youtube.com/watch?v=C2mJKgjXhww

Can you shut up?

Muito difícil encontrar no busão nosso de cada dia alguém que tenha o gosto musical parecido com o da gente. E haja bom-humor para atuar a molecada que põe aquele funk cabeludo nas alturas, ou o tiozão do sertanejo mela-cueca. Até pastor evangélico (dos mais fervorosos) já fui obrigada a ouvir contra a vontade. Não é à toa que música foi (ou é!) um recurso de tortura, como vimos na prisão de Guantánamo... um horror! Mas acho que é essa a sensação mesmo: uma sala de tortura. Por isso sou totalmente a favor das campanhas que incentivam o uso do fone de ouvido... não sei se elas têm mostrado resultado, mas pelo menos percebo que não sou a única incomodada.
....
Poucos lugares disponíveis, passo a catraca e me sento ao lado de um rapaz com fones de ouvido. Me acomodo, abro um livrinho até que.. uma voz esganiçada começa: "é preciso ama-aa-ar as pessoas como se não houvesse amanhã". Era o moleque cantando sozinho. Oh, céus!

Ando seriamente repensando essas campanhas por fones.

Pra ser romântica


Eu para o celular dele: Te amo.
Ele para o meu celular: Ih. O que tá aprontando?

A Mila, tão atenta à tela do computador, merece até um beijinho de boa noite.
O pescoço dela trava na hora de se virar e conferir a origem do estalo. Está com torcicolo: "Ai! Você qué me fude?"

O romantismo morreu.

Mundo Encantado

Enquanto anubis e dinossauros batem um papo animado sobre (entre outras mil coisas) antropologia, carros ganham asas; as pessoas se cumprimentam fazendo "fom" no próprio nariz com a mão direita; bebidas são mortas sem piedade com tiros à queima-roupa e tubos protetores de canudos voam em direção à testa alheia.

O dia em que matei Leonard Cohen

Promoção de livros sempre significa dinheiro a menos no bolso. Principalmente quando sua irmã faz questão de te acompanhar até a livraria. Depois ela te larga lá, dizendo que está atrasada, assim é só você que coloca a mão no bolso. Enfim, voltei com um Leonard Cohen. 
Pois é, ele escreveu romance. Legal, né? Não, não deve ser nada demais. Sim, esse é o primeiro de dois... é, pena que ele morreu logo depois.
"O quê? Tá louca? De onde tirou isso?", grita Adriano incrédulo.
Ué, li na orelha. 
Pronto, foi a deixa. Ele vai todo-todo atrás do livro. Eu entendo, nessas horas é de fundamental importância encontrar provas concretas que evidenciem a burrice alheia.
"Gabriela, as frases não acabam nas vírgulas! Tem que ler até o final!" e continua de um jeito tão adriano, impossível descrever... "Três anos depois, um segundo romance encerraria a breve incursão de Cohen no GÊNERO, VÍRGULA, e as décadas seguintes o teriam com um dos cantores e compositores mais adorados do mundo. Ele tá bem VIVO."
Ops.

Das vantangens de ser teacher

- Entrei sem pagar na bienal do livro.

- Tenho privilégios na biblioteca da escola. Posso atrasar a entrega sem multa (R$ 2,00 por dia).

.... não consigo pensar em mais nada.

Eles morrem

Quando você começou a ficar doente e a ter essas convulsões repentinas e sem explicação, mamãe passou a ficar mais tempo em casa. Foi bem na época em que a aposentadoria dela saiu. Os horários dos remédios e das refeições nunca podiam atrasar, ela sempre estava em casa para prepará-los. Você engordou, ganhou umas verrugas estranhas pelo corpo, perdeu a força nas patas, ficou surdo, um pouco cego também. No final, estava se locomovendo com uma tremenda dificuldade e passava longos períodos num sono profundo. Mesmo assim, esforçava-se para acompanhá-la por todos os cômodos da casa. Num dos momentos de crise, ela pediu que não se preocupasse, que se estivesse mesmo cansado, ela entenderia. Ditian viria buscá-lo, você não ficaria sozinho.
Hoje nós estamos infinitamente tristes.

Em busca do tempo perdido

O interfone toca. Mila desce correndo e volta toda saltitante com um pacote nos braços: "meu livro chegou!". Mais um, pensei. É um Proust, gigante, No caminho de Swann, primeiro volume de outros seis gigantes que formam o Em Busca do Tempo Perdido. "Vou comprar os outros mais para frente", garante.
Nussa, fala sério! Vai ler Proust agora?! Desculpa, mas quem nos dias de hoje encara esses sete volumes? Haja paciência! São mais de 3.000 páginas! (segundo informação que coletei na orelha do livro enquanto xeretava assombrada com a ideia de ler a obra completa).
Mila me lança um olhar idignado: "Ué, você não leu Harry Potter?"
(Não, não li todos os harrys, mas nem vem ao caso, o argumento dela é bom. Fiquei sem resposta.)
......
Isso me lembrou do Bonsai, filme chileno muito bonitinho que vi no Festlatino por indicação de uma amiga, a Carol. No filme, um casal enfreta o desafio de ler Prost juntos, mas o amor não restiste a tantas páginas, a tanto tempo... (calma que eu não estou contando o final).
Fiquei com vontade de ler o romance que deu origem ao longa. (São só 60 páginas!) Quem sabe depois não encaro o desafio proustiano.

Passe para o inglês:

"A ovelha caga no lençol barato do navio."

Agora leia o resultado em voz alta.

Toda noite ela faz tudo sempre igual

O pó da rabiola. É como eu chego em casa nas quintas à noite. Depois da labuta e de horas perdidas no trânsito, outras tantas perdidas assistindo aula de metodologia do português; tomar um banho, colocar meu pijaminha confortável, me ajeitar na cama para xeretar no facebook, ler uns parágrafos do livro que está na cabeceira da cama... é tudo que preciso.
Mal fecho a porta e... "AAAAAHHHHH", pula na minha frente um ser vindo da escuridão da cozinha. "CARALHO! VAITOMANOC*! QUÉMEMATÁ?!!!", meu coração vem para a garganta. "Ha-ha-ha", ela ri da minha cara de pânico.
Bom, caso eu desenvolva problemas cardíacos precocemente já sabem quem culpar. Em outras palavras, cada um tem a irmã gêmea que merece.

Era uma casa muito engraçada...

A música de Vinícius marcou minha infância. Domingo à tarde, andando pelas ruas da capital, eis que encontro a casa engraçada, sem teto, sem nada. Rua dos Bobos é na verdade a Cardeal Arcoverde.

O Filósofo Voador

O trapezista é um homem pássaro. O filósofo também.
Dover Tangará era o filósofo voador.

Depois de dias na UTI, entre a vida e a morte, o filósofo rendeu-se. Hoje São Paulo é mais cinza, mais agressiva, mais inóspita... Pudera eu também ter asas...


Crises de riso

São inexplicáveis. Qualquer bobageira pode virar o estopim de minutos e minutos de risadas incessantes, geralmente quanto mais besta melhor e, se vier com uma ajudinha alcoólica então... está feito o estrago!

Depois de umas doses, a fila da balada parecia não andar. "Mano, preciso fazer xixi!" Puxei a Mila pelo braço e corremos para o boteco sujo do outro lado da rua. Enquanto estou lá, me equilibrando entre as poças de urina, tomando o devido cuidado para não encostar em nada, escuto:
- Moça, se você soubesse da assadura que to aqui debaixo do braço..."
- Coloca maizena! - resposta na lata! afinal é tão normal conversar com desconhecidos sobre isso na porta do banheiro, não?
- Mas onde é que vou encontrar maizena essa hora da noite? (!!!)

Pronto, foi de doer a barriga.

Não achou graça?!? Madrugada, tiozinho bêbado, assadura, maizena, MA I ZE NA!!
É... só se morre de rir uma vez.

São Paulo é a terra dos encontros

O relógio já passava das onze. No boteco perto da casa do Adri, um velhinho, daqueles bem velho mesmo, de boina e colete, bem acima do peso, com a pele marcada pelo tempo, mexia na bengala impacientemente. 
"Calma, Seu Amir, ela já está vindo!", garantiu a travesti de meia idade sentada a sua frente.
Ixi, pensei, a prostituta está atrasada. (Puro preconceito, né? Eu sei, mas foi inevitável.)
Eis que, para minha surpresa, aparece Dona Margô, uma vovó para lá de fofa, toda curvadinha e enrrugada, conduzida pelo braço por uma amiga bem mais jovem.
"Dona Margô, que bom que a senhora veio!" Levantou-se para cumprimentá-la a travesti e logo tratou de apresentar o amigo. "Olha só quem está aqui? O seu Amir. Senta lá do ladinho dele. Ele é libanês, adora cultura!"
.......
"Eu fui professora de primário durante muitos anos", contou Dona Margô.
"Então, vou ser seu aluno."
"Não, meus alunos tinham até 10 anos!"
"Eu tenho 9."

Verdades e chocolate

Saímos da Villa Bahia com um bolo brigadeiro debaixo do braço. Impossível resistir a vitrine de doces, é tudo feito para comer primeiro com os olhos... embalagem impecável, cobertura brilhante, cheia de granulado, massa bem escura, daquelas que você vê e pensa "deve ser puro chocolate"... humm. Em casa:

Eu: Gostou do bolo, Adri?
Ele com cara de nojinho: Mais ou menos...
Eu: Aff, você só reclama, né?
Ele: Nem vem! Não foi você que fez, eu posso falar a VERDADE.

a verdade... a verdade... a verdade....a verdade...

A imobiliaria liga...

Meu coração pára. Pronto, vamos ter que procurar um outro canto para chamar de lar. E com os preços exorbitantes do jeito que estão, vai estar mais para maloca do que qualquer outra coisa.

É engano, não solicitamos eletricista nenhum.

É justo viver assim, meu deus? Estamos pagando as contas em dia, tenha misericórdia de seus filhos!

Adri é daqueles que andam

Pode até chover granizo, ele sempre vai preferir esperar um pouco para depois seguir caminhando. Transporte público? Só se for fora do horário de pico, mas ainda assim é melhor gastar a sola dos sapatos.
.....

"Voltei de taxi" foi a mensagem que chegou no meu celular.

Como assim? Adri não está bem. Só tem um motivo no mundo que o faz abandonar os príncipios e correr para dentro de um táxi... dor de barriga.

Eu falei que salmão cru e bolonhesa não davam uma boa mistura.

Quem nunca...

Deixou o bolo queimar ou colocou o garfo no liquidificador?


Para ler antes de arrumar um cachorro

Passeio, comida, pet shop, cocô, xixi, jornal, pêlos, choro, latido, elavador de serviço, mau cheiro, $$, veterinário, toza, pulga, carrapato, vacina, rotina, patas sujas no lençol, passeio de novo, xixi de novo, cocô de novo...

Pesadelo 2

Sabe aqueles dias em que você agradeceria se deus acabasse sem dó com a humanidade? Bom, para mim, esses dias geralmente caem nos sábados em que eu tenho que acordar cedo para trabalhar. Saio atrasada, sonolenta, com a cara de quem caiu da cama mesmo, ponho a primeira roupa que encontro e sigo para o ponto de ônibus. "Quero dormir, quero dormir, quero dormir..." é o mantra que ecoa nos meus pensamentos.
Mas hoje não, hoje o mundo acabar ainda seria pouco. Ônibus lotado, uma gritaria louca, jovens rindo alto, arremessando salgadinhos, sem piedade do meu mau humor. Socorro, que animação é essa logo cedo? Será que peguei o busão a caminho do Playcenter?! Não é possível, isso lá é hora para pagar meus pecados? Na primeira oportunidade, perguntei a umas das mocinhas o motivo de tanta alegria:
- É excursão do trabalho, estamos indo para o Ibirapuera passar o dia.
Como assim? NINGUÉM vai trabalhar?
Ficou ofendidinha quando disse que queria o emprego dela.

Quase o ônibus inteiro desce no Ibira, ficam só os trabalhadores, finalmente um pouco de paz. Ao meu lado senta uma senhora cheia de sacolas:
-Acho que estou muito velha para carregar tanta coisa, né?
Balanço a cabeça em solidariedade.
- É que eu estou indo para o interior, meu pai está na UTI...
Pronto, acabou-se o que era doce.

Não me tranca que eu te tranco

Mila aprendeu a jogar cartas quando ainda era criança, devia ter uns dez anos, não mais que isso. Olhava os adultos jogando durante os encontros de família e queria participar de todo o jeito. Um dia, nas férias, pediu para o nosso Ditian ensiná-la. Pronto, passou-se assim a tradição para mais uma geração. Incrível como ela pegou o jeito rápido. É que o Ditian não foi um professor dos mais fáceis: trapaceava escondendo cartas e ainda blefava para deixá-la insegura: "Tem certeza que vai jogar essa carta?" ou "Carta do meio, essa é boa! Compra!". Para ele, não tinha esse negócio de passa-tempo, brincadeira em família ou coisas assim; jogava para ganhar.
No fim, ele criou um monstrinho. Mila superou o mestre, joga muito bem, mas diferente do avô, fica sempre em silêncio, não antecipa jogada nenhuma. Tem sangue frio, organiza as cartas na mão e, quando você menos espera, começa a baixar os jogos um a um, faz as canastras e bate, te enfiando prazeirosamente no buraco, sem dó nem piedade. É nessa hora que, normalmente, eu tenho vontade de virar a mesa e gritar: "Cuzona, não jogo mais com você!"

É verdade, eu sou a piorzinha da família... me embaralho toda na hora do descarte, nunca sei que carta jogar fora e, às vezes, seguro o jogo todo cartas sem importância. Nessas horas imagino Ditian me assistindo: "Tsc, tsc, tsc, mas essa aí não aprendeu nada comigo mesmo."

Sobre a importância de contratar bons profissionais para qualquer tipo de serviço

By Laurie Anderson

Speaking Japanese

A couple of years ago I did some concerts in Japan and I decided to sing all the songs in Japanese. So I learned them phonetically and it took a couple of months but I was pretty proud of myself. Then after the first concert the Japanese promoter came back stage and said: "Excuse me, pardon me, but you speak English really well. But excuse me, pardon me, in Japanese you have a quite bad stutter." I couldn't believe it. Later I discovered that the guy who had made the casette for me to copy had a really bad st-st-stutter and I copied everything perfectly, carefully noting that this particular word was "ts ts tsuru" and this other one "ts-TZ ts tsuru". Anyway, it was impossible to unlearn the s-s-ongs because the st-stuttering had became so much p-p-part of the rrrhytm of m-my music.

Parei. (um desabafo)

Assisti a várias sessões do Bergman no CCBB, com a ilustre companhia do cinéfilo Adriano Capelo. É difícil resistir à tentação de ver os filmes do sueco na tela grande, especialmente quando a rotina de trabalho está tranquila (e, não custa lembrar, Adri é um dos nóias, não existe programa nenhum na cidade, na modesta opinião dele, melhor do que encarar o escurinho do cinema).
Mas chega! Para mim, já deu! Cansei! "O Olho do Diabo" foi, como costumam dizer, a gota d'água; meu baldinho de paciência transbordou. Pobre Bergman... mas não, ele não tem nada a ver com isso. É o público da mostra que eu não aguento mais!
Essa última sessão foi demais, tensão do início ao fim; o próprio Diabo devia estar presente e muito satisfeito com o que viu. Primeiro foi a chiadeira sem fim. Poxa, não estávamos vendo uma comédia? É preciso mesmo fazer "shhh" até para as risadas? Vai entender... O carinha mais sem noção não polpou um "shhh" para os vizinhos, em compensação, repetia umas palavras soltas dos diálogos; acho que estava praticando a pronúncia do sueco (!). E o cheiro, argh, nem gostaria de falar sobre isso; uma mistura de suor, naftalina, guarda-roupa, sardinha... indecifrável.
Tudo isso já seria suficiente para qualquer pessoa pensar duas vezes antes de encarar a próxima sessão, não é? Deixei o pior para o final... (Conselho de amigo: Se você tem o estômago fraco, pare por aqui.) Na cadeira ao meu lado, a velhota gorda do nada iniciou uma meticulosa "limpeza no salão", em outras palavras, começou na cara dura a tirar catota do nariz! Socorroooo! Como se não bastasse, ainda fazia bolinha com a meleca e atirava praticamente no meu pé! Agrhblghkblek! Morri.
Sinto muito, Bergman, mas parei.

Para Mila

A vida seria muito triste sem você para tirar as farpinhas de madeira que entram no meu mindinho.

"Hoje eu não tô afim de corre-corre e confusão.
Eu quero passar a tarde estourando plástico bolha."

Mais uma burguesinha hipócrita

É díficil assumir, mas é verdade, não passo de mais uma moradora hipócrita da capital.
...
Concordo com praticamente tudo que escreve o blogueiro Sakamoto, às vezes me incomoda um pouco o seu tom sarcástico e inflamado em exagero, mas ele não deixa de ter razão. A cidade de SP, com Kassab a frente da administração, está cada vez mais excludente e elitista. Mais triste ainda é ver que existem pessoas que concordam com suas políticas descaradas de exclusão como, por exemplo, a proibição de entrega de sopa para os moradores de rua no centro da cidade ou ainda os bancos anti-mendigo. (clique aqui e saiba mais). Eu tenho vergonha.
...
Não gosto nada da ideia de levarem meu celular num arrastão.

Adri

Termino a primeira aula da manhã, umas 9, e encontro duas mensagens no celular:
"Mano, uma fila gigante no ccbb. Cada maluco!"
"Ta doido, to quase indo embora, não quero ficar nóia assim."
Tsc tsc tsc, é o Adri, na fila dos ingressos para ver algum Bergman rolando na mostra (concorridíssima!!) do ccbb. Minha vontade foi responder algo do tipo: "too late, darling, você já faz parte do clube". Mas me contive, muito cedo para provocações, não?
É engraçado frequentar essas mostras e esbarrar sempre nas mesmas pessoas... o velhinho gordo e  espaçoso, que fala alto e fede urina; o senhor das sacolinhas plásticas, que faz mor barulho e carrega sempre um refri de 2l para matar a sede durante a sessão; a velha chata, que reclama de tudo, mas não percebe que é a que mais incomoda; os catálogos-freak, aqueles que ao final de cada filme passam procurando por ingressos usados - no ccbb, durante esse festival, se juntar 10, pode trocar por um catálogo. Pô, mas por que fazer os nóias sofrerem tanto? Não dá para vender essa p*^&% logo de uma vez?! Nem eu aguento mais o estresse do povo correndo atrás dos ingressos.
Fico pensando no Adri daqui a alguns anos... Adri vai ser daqueles que voltam do banheiro com a braguilha aberta.

Coisas da gemelidade 5

No ônibus, presenciei uma tentativa de furto. A mocinha desatenta, parada a minha frente, não percebeu que o homem ao seu lado estava de olho em sua mochila. Ele tinha mãos escorregadias, que procuravam, disfarçadamente, encontrar os objetos de valor da garota.
Tudo péssimo, não fosse meu sangue samurai falando mais alto. Não pensei duas vezes, chamei a atenção da menina e contei o que estava acontecendo. (ohh!! aplausos da platéia)
Acontece que o bandidinho não gostou e ficou me encarando até descer na próxima parada. Eu, como uma boa justiceira, encarei-o de volta (não sem sentir aquela alfinetadinha de medo na espinha dorsal, é claro), mas afinal quem estava errado era ele. Depois, fiquei me sentindo a verdadeira Mulher Maravilha.
Até contar a história para o Adri que me preocupou..."e se o ladrão te marcar?!"
Bom, nesse caso é melhor avisarmos a Mila também.

Hábitos Paulistanos

Quando estou atrasada logo cedo, passo no café aqui do lado e compro um pão de queijo para comer a caminho do trabalho.
Sábado, 9 da manhã: uma garota caminha mastigando um Big Mac.

Regras de etiqueta para dias de chuva

Não sei o que acontece, também não me lembro se todo ano é assim, mas que chuva é essa que não pára nunca em São Paulo? Não aguento mais andar com a meia encharcada. Carregar guarda-chuva então, odeio! E nem vou falar do congestionamento, afinal todo mundo já sabe como a cidade fica, não é mesmo?
Vamos logo ao que interessa. Quero aproveitar esses dias e mais dias debaixo d'água para lançar o... (música de suspense) MANUAL DE ETIQUETA PARA DIAS CHUVOSOS. Isso mesmo, vou dar uma  de Glorinha Kalil e começar a distribuir pelas ruas um guia prático e útil de boas maneiras, voltado especialmente para melhorar a convivência humana mesmo com as intempéries rotineiras -, livro que, com certeza, faz falta na estante de muito paulistano por aí.
Tem coisa pior que gente mal-educada munida de guarda-chuva? Então lá vai:
Dica 1: Seu guarda-chuva não é uma arma, controle seu impulso assassino. Não adianta, está chovendo e você não é o único que chegará atrasado, engula a raiva e siga o fluxo, nada de ziguezaguear pela calçada. Lembre-se: um guarda-chuva = quatro pessoas.
Dica 2: Não seja egoísta. Se você não é um personagem do Maurício de Souza, então não vai precisar de 2m² de proteção só para você, manere no tamanho da sombrinha.
Dica 3: Se estiver dirigindo, dê preferência ao pedestre. Por mais ruim que esteja o seu dia, pelo menos suas calças não estão molhadas até o joelho.
Dica 4: Seja rápido ao subir no ônibus, se aperte como puder, mas evite deixar os outros passageiros na chuva, enquanto você procura na bolsa o bilhete único.
Dica 5: Pô, se vai ficar com o guarda-chuva aberto, saia debaixo da proteção da parada de ônibus.
Dica 6: Eu sei que é chato tomar uns respingos na cara, mas se fecharmos todas as janelinhas do coletivo, que ar iremos respirar?

Dica 7: Última dica, mas a que mais me incomoda. As palavrinhas mágicas continuam valendo. Como dois guarda-chuvas não ocupam o mesmo lugar, dar passagem é sinônimo de boa educação. Caso alguém faça isso por você, não se esqueça de agradecer.



Pronto. Mesmo molhado, seja consciente.  Boa chuva a todos.

Serge, Jane e Nana

Toda vez que assisto um filme sobre o Serge Gainsbourg, volto apaixonada pela Jane Birkin. Não consigo evitar, vai ser linda assim na conchinchina!
....

Je Suis Venu Vous Dire
Documentário sem nada de muito novo, mas bonito. É legal escutar o próprio Serge falando de sua história. Só um defeito bem anticlímax: no meio das entrevistas, colocaram umas dramatizações horrorosas e sem sentido. No mais, gostei da parte em que aparece Nana, a bull terrier, presente de Jane.

Segundo Serge, na Inglaterra, ele passeava com a cadelinha e só escutava elogios, do tipo: "que ótima escolha! Melhor raça não há!"

Porém, ao atravessar o Canal da Mancha... "Mas isso é um porco ou uma ovelha?" Nem preciso dizer mais nada, né? Pobre Nana...

Mulheres, fiquem atentas!


Pego a mesma linha de ônibus três vezes por semana e, praticamente, atravesso a cidade dentro dele. O transporte público em São Paulo, como todos sabem, deixa muito a desejar e, mesmo no meio da tarde, horário em que costumo tomar o coletivo, ele segue cheio até o ponto final, no Terminal Santo Amaro.

O caso é que, alguns dias atrás, presenciei uma situação horrível! No meio das pessoas, um homem ejaculou, sem pudor nenhum, na perna de uma moça que estava sentada ao meu lado! Isso mesmo, ele ejaculou! Não tenho palavras para descrever quão indignada fiquei. Tanto ela, como eu, não tivemos uma reação imediata, na verdade, demoramos um pouco para entender o que havia acontecido; tempo suficiente para o tarado deixar o ônibus correndo e fugir. Na ocasião, ofereci-me para acompanhá-la até a delegacia mais próxima e fazer uma queixa, mas ela estava muito transtornada e só queria voltar para casa o mais rápido possível. Eu não insisti.

Lembro que fiquei muito mal no trabalho, pensei em ir até a delegacia sozinha, mas me faltaram forças, acabei deixando a história de lado, um pouco por acreditar que nada mais poderia ser feito.

Acontece que voltei a encontrar o mesmo maníaco no ônibus. Gelei e me arrependi muito de não ter feito nada. Eu estava sentada e ele parou do meu lado, com o casaco enrolado no braço, escondendo a mão, na altura da cintura, exatamente como na primeira vez que o vi. Foi horrível! Pensei em pegar o telefone e chamar a polícia, mas como iria fazê-lo com o tarado tão próximo? Minha reação foi virar de lado, em direção a ele e encará-lo nos olhos, descaradamente. Ele percebeu que eu o havia reconhecido e desceu no ponto seguinte. Fiquei aliviada momentaneamente, mas sei que esse tarado deve ter pego o ônibus seguinte e agredido outra mulher!

Para minha surpresa, eu não fui a única a reconhecê-lo. A senhora que estava sentada ao meu lado também se lembrou dele e me contou um episódio parecido, no qual ele ejaculava em uma menina que estava dormindo. Isso quer dizer que é uma violência frequente! Conversei com várias outras mulheres dentro do ônibus, descrevi-o fisicamente para que, a partir de então, todas ficassem mais atentas. Desci do ônibus com a certeza de que devia procurar ajuda e denunciá-lo! Eis que começa outra novela...

Por sugestão de uma das passageiras, liguei para o disque-denúncia (181), número que aparece gigante atrás de todos os ônibus municipais da cidade. Falei com a atendente Cecília, que antes mesmo de ouvir minha história, disse que não poderia fazer nada para me ajudar. Eu retruquei perguntando qual era, então, a utilidade do disque-denúncia. Segundo ela, serve para tráfico de drogas, pirataria, maus-tratos contra animais, idosos, crianças... E violência contra a mulher?? Não, para isso tem o 180, foi o que ela sugeriu.

180 é o telefone da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que trata de violência doméstica. Bom, não custava tentar. De cara, também, a atendente desconversou e pediu para que eu acionasse a polícia civil, telefone 197. Tentei umas cinco vezes e todas ligações caíram. Então, resolvi ligar para a prefeitura e falar com a SPTrans, liguei 156. A resposta foi “você tem que ligar é para a polícia militar, tirar uma foto do suspeito e fazer boletim de ocorrência!”

Que burocracia absurda é essa? É por isso que milhares e milhares de maníacos continuam se aproveitando de nós! O caminho da justiça é tortuosíssimo, me sinto completamente só e desprotegida, de mãos atadas mesmo.

Não, ainda não liguei para a polícia militar, depois de passar meia hora pendurada no telefone, precisava de um tempo para respirar. Quem sabe eles tenham mais consideração ou tomem alguma providência se eu for pessoalmente até uma delegacia ou se eu escrever relatando tudo para as ouvidorias de todos os lugares em que (não) fui atendida. Não sei. No ônibus, as mulheres falaram que eu devia ter gritado, pedido para o motorista fechar as portas e chamado bastante atenção para que o depravado tomasse uma surra dos outros homens do coletivo e, assim, aprendesse a lição. Já me sugeriram que carregasse minha própria “arma”, no caso um canivete suíço. Medo de São Paulo e da violência em que a cidade está submersa. Será mesmo que justiça só com as próprias mãos?

....

Hoje, fui a uma delegacia da polícia militar. Nada diferente dos outros lugares. Sabe o que ouvi? "Mas nesse ônibus não tinha nenhum homem, não? Para dar uma sova nesse maluco!?"

Estou indignada!! Algo tem que ser feito, violência desse tipo, não pode continuar impune! Quero, no mínimo, tomar um ônibus na cidade sem que um tarado goze em cima de mim. Acho justo, não é nenhum pedido absurdo.

Nos ônibus municipais falta informação. Por exemplo, para solicitar ajuda, você deve ter em mãos o número da linha, além do destino e ponto final. Eu, por exemplo, nunca lembro, sempre vou pelo  trajeto. Então, por que não colocar esses dados também do lado de dentro? De preferência junto de cartazes gigantes lembrando que violência contra a mulher é crime grave, mais telefone de emergência e foto de suspeitos.

....

Já vejo as manchetes nos jornais em caixa alta:

"PASSAGEIRA DE 27 ANOS UTILIZA CANIVETE SUÍÇO PARA EVITAR ATAQUE DE TARADO EM ÔNIBUS NA CAPITAL"

Uma espinha incomoda muita gente...

Uma espinha gigante na ponta do nariz incomoda muito mais!
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Geralmente, quando ensino as partes do corpo para os alunos, aponto para cada lugar em mim mesma e peço para eles repetirem. Cabelo, testa, sobrancelhas, olhos, boca... Na aula de hoje, pulei descaradamente o nariz.

Por que não existe atestado médico por erupcão cutânea resultante de inflamação das glândulas sebáceas? Quero ficar em casa.

30 anos depois

Olhar cansando,
nariz furado.
30 anos depois,
é ainda Paxola
quem te consola.

Tinha mania de anotar tudo

Passeava pelos museus munida de caderninho e caneta. A ideia era registrar tudo que me chamasse a atenção: obra, autor, ano, estilo... Como se o esforço fosse me garantir mais espaço na memória. Quanta inocência...
Esses dias, lembrei de uma vídeo instalação que vi no Tate Modern. Uma obra marcante mesmo, muito forte, talvez a que mais tenha mexido comigo em meio a tantos picassos, mondrians e dalís. Revirei as gavetas e os cadernos atrás das anotações, tenho certeza que deixei marcado em algum lugar mais informações do vídeo, algo que me facilitasse a busca no google. Queria rever o trabalho com mais calma e com outros olhos, ler o que se falou a respeito... Não achei coisa alguma. E agora? Só me resta a péssima memória, em quem já sei que não posso confiar. Devia, primeiro, ter pensado em soluções para a falta de ordem.
....

Um homem e uma mulher, numa sala de estar, nus, em silêncio, arremessam, repetidas vezes, um para o outro, uma grande bola de plástico, dessas que a gente ganha no parque de diversão. Na cena seguinte, ela aparece sentada no sofá, mas a ação é sempre a mesma: receber e devolver a bola de plástico. O vídeo é preto e branco, mas eu tenho para mim que a bola era azul.

Baby, acho melhor vc voltar pra terapia...

(respire fundo, Gabriela, respire fundo)
((só chocolate salva))

Santo Amaro, 19h30.

Saio do trabalho em direção ao ponto de ônibus. Ruas vazias, silêncio, vou perdida em meus pensamentos. Na esquina, um susto. Involuntariamente, agarro-me a bolsa, dou um salto para o lado e encaro o cidadão estranho encostado no muro, escondido no breu da noite.
- Calma, dona, de boa, eu sou da paz.
Até, penso em parar e me desculpar, mas as pernas são mais rápidas. Pô, um sujeito parado na esquina mais escura do cruzamento, nesse frio = suspeito. Ele continua:
- Que deus te abençoe e te arrume um marido, viu?
Oi? Um marido?! Fala sério! Prefiro um spray de pimenta para esfregar na cara dessa sociedade machista! Sfd!

C'est la vie

Há três anos o mundo era meu quintal e esse blog era um parceiro de viagens. Hoje, minhas aventuras têm se resumido aos 6m² da minha cozinha. O blog continua de pé.

O poder da mente

Culpo os ovos cheios de hormônio ou as cenouras supostamente radioativas? Bom, o caso é que o bolo saiu verde fluorescente. Não sei explicar, minhas experiências culinárias não estão no gibi!
Saí e deixei-o ainda quente em cima do fogão, sabia que a Mila voltaria logo mais e, talvez, com fome. (Sim, sou uma ótima irmã.)
Mais tarde, chego em casa e encontro Mila com cara de interrogação: 
- Ué, não gostou do bolo?
- Bolo do quê?
- Como assim? Bolo de cenoura, ué?
- Sério?
- Sim, a cor engana mas o sabor não deveria!
E foi, com essa experiência besta, que provamos o incrível PODER DA MENTE. Mila só sentiu o sabor cenoura quando provou o bolo pela segunda vez, depois de eu ter contado dos ingredientes; minutos antes seu cérebro estava bloqueando o paladar e só se atinha à cor estranha. Não é interessante como nossa mente funciona, fazendo uso de todas as informações que recebe automaticamente?

Uau, me sinto uma Piaget do novo milênio!

Piada pronta ou O preço de ser nonsense

eu: bu!
      urubu.
      brucutu.
      itu?

ela: vaitomanocu.

Pesadelo

Sábado, umas sete da manhã meu celular toca. Desligo automaticamente, confundo com o toque do despertador. Sonho, podia ser da escola cancelando a aula de hoje... aiai... Cinco minutos, toca de novo. Atendo:
- O Val, por favor. (voz de mulher, meia idade)
- Não tem ninguém com esse nome, é engano.
- Por quê?
Desligo. Que tipo de pergunta é essa? "Por quê?" Resposta simples: Porque tu é uma anta e ligou errado, oras!
Fecho os olhos, tento relaxar. Celular de novo! Mesmo número! Desligo.
Mais cinco minutos... e o celular insiste:
- Alô!
- Por favor, o Antônio.
- Não tem Antônio aqui! Você está ligando errado! Se ligar de novo, vou passar seu telefone para a PULÍCIA!!
- Estou ligando porque é URGENTE! Muito obrigada pela educação!
Bate o telefone. Fecho os olhos, tento pegar no sono... mas o cel me acorda outra vez! Amaldiçoo Graham Bell e toda a tecnologia das comunicações!
- ALÔ!
Uma senhora responde:
- Queria falar com o Val, foi ele que me passou esse número.
- Mas é engano minha senhora, esse telefone é meu, não conheço Val nenhum.
- É que meu marido Antônio combinou de pegar ele na "ilha", ele já foi pra lá, é pro Val esperar na frente do prédio.
- Então, não posso fazer nada, esse número não é do Val. Tem certeza que o DDD está certo? Você esta ligando para São Paulo.
- Mas foi ele que me passou o número!
- Olha, são sete da manhã, é sábado! Não adianda insistir que vai cair aqui..
Ela desliga minha cara.
....
Despertador toca, fico com preguiça de levantar. Perco a hora.
....
Ônibus cheio em direção a Santo Amaro. Quando o dia já começa assim...
Peidam no busão.

A (impossível) arte de emagrecer ou Coisas da gemelidade 4

Cheguei em casa e comi só uns legumes refogados com um bocadinho de arroz, já passavam das 9, estava seguindo os conselhos de Mila, "evite comer a noite!". Mas, Mila, eu chego tarde em casa, faminta... "Evite!".
Agora, o relógio marca 1h45, hora de dormir. Meu estômago reclama. Poxa, dormir com fome é FODA! Prefiro ficar gorda é a minha conclusão imediata.
.....
Estranho, Mila e eu somos uma gangorra (falando de peso, ok?). Na época em que estava mais gorda, tipo rechonchuda mesmo, a Mi estava magééérrima. Depois, ela voltou ao normal, e eu passei por um estranho período de falta de apetite, que resultou em quilos a menos. Esse começo de ano, a mesma coisa... um vai-e-vem sem fim.

Bom, vocês conhecem a "charada" dos dois irmãos que caem chaminé abaixo? Vou contar aqui rapidinho... dois irmãos estão limpando a lareira de uma casa, escorregam e caem pela chaminé. Um deles sai limpinho, enquanto o outro sai imundo. Qual dos dois vai se limpar? O que está limpo. Entenderam?
(Isso deve ser paródia de algum filósofo)

Bolo de ponkan

Quem se lembra das aulas de ciências, sabe que a língua é cheia das papilas gustativas e que é por elas que identificamos o sabor dos alimentos. O doce vem na pontinha, depois o salgado, o azedo e, lá atrás sentimos o amargo. (Pelo menos era assim na minha época!) Agora, uma experiência prática:

Esses dias resolvi inovar, peguei na internet uma receita de bolo de mexerica ponkan, feito com as cascas.  Ué, por que não aproveitar melhor os alimentos? Contribuir com a preservação do planeta e bibibi? Casca é saúde, não é mesmo?

Aiai, e o bolo saiu lindo do forno... cheiroso, fofinho, de dar água na boca. Humm... e ainda estávamos todos com fome. Até que foi a hora de prová-lo. "Incrível, deu certo!", foi o que pensei ao colocar um pedacinho na boca. Eis que, segundos depois, sobe um amargo horrível do fundo da garganta e contamina tudo, apaga drasticamente da memória todos os vestígios do sabor docinho que veio antes. Triste.

O bolo de ponkan é uma metáfora da vida.
Passei mal horrores na baladinha passada.
mas o pior foi chegar em casa e escutar da Mila: "Poxa, vc está estragando o meu pós-doc sobre as rodas de samba da cidade!"

Eu deveria explicar melhor, mas não vou. Boa noite.

Mania de ovo

Quando era mais nova e visitava minha vó, sempre ficava surpesa com a quantidade de ovos estocados na geladeira. Podia faltar o que fosse, mas ovos jamais. Era incrível.
- Mais ovos! Exclama Mila ao entrar na cozinha e conferir as compras em cima da mesa.
Sim, voltei da feira com  mais uma dúzia, mesmo sabendo que ainda tínhamos alguns da semana passada. Poxa, feira livre tem só de quinta, e se comermos todos antes da próxima? - pensei. Bom, em outras palavras, a ideia de passar dois ou três dias sem ovos me assustou. 
Ah, Batian, como agora eu te entendo!

Uma história em 30 passos

por Letra A (Capelo)

1) Dia desses, na lanchonete da Faculdade de Educação da USP, por volta das 17h30, deu-se o seguinte diálogo (onde A sou eu, B1 a B4 são balconistas e C é o chapeiro).
2) A: Um x-frango com queijo branco, por favor.
3) B1: ...
4) A: Pode ser? Trocar o queijo prato por queijo branco?
5) B1: Com salada?
6) A: Não. Só filé de frango e queijo branco.
7) B1 pesquisa o cardápio...
8) A: Se não puder, tudo bem, pode ser normal.
9) B1 para B2 em frente a A: Ele quer trocar o queijo...
10) B2 para B1 em frente a A: Tudo bem, mas vai cobrar a mais... o preço do queijo branco.
11) A: Quanto a mais? 4,40?!
12) B1 busca no cardápio e B2 vira as costas...
13) B1: ... 
14) A: Faz o normal mesmo.
15) B1: X-frango?
16) A: Isso, o tradicional..
17) B1: Dá um real a mais.
18) A pensa... : Não, faz o normal mesmo.
19) B1: Essa Coca é sua? É daqui?
20) A: Sim, já tá marcada.
21) B1: Não tá não.
22) B3: Tá sim! Eu que marquei.
23) B1: Só isso?
24) A: Se tiver duas cocas marcadas, eu venho falar com você.
25) ... 10 minutos ....
26) C: Lanche!!!
27) ... 5 minutos ...
28) C: Balcão, olha o lanche!
29) B4: Número 17?!
30) A: Eu! e aprecio um X-salada com desgosto.

Fim.

Quando estou sozinha...

e com fome, peço pizza de milho verde.
Eu sei, as palavras "pizza" e "sozinha" não deveriam fazer parte da mesma frase desacompanhadas de uma negação. A redonda, com oito pedaços já fatiados, tem como função primeira a partilha que, vale lembrar, é resultado direto de um entendimento prévio entre as partes envolvidas. Sendo assim, o "momento pizza" só faz sentido se contar com duas ou mais pessoas, que devem, antes de mais nada, entrar em acordo quanto aos sabores, para depois desfrutar de um bom momento juntas.
Meus amigos não curtem milho verde. 

Chico, sempre Chico

"Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu."

Infância para quê?

Maternal, crianças de dois anos e meio a três já apredem inglês. Esses dias, levei para a aula o livrinho do Baby Sam, eles gostaram. A história é bem simples e o mais legal é que, na última página, o Baby Sam aparece dormindo, bem tranquilo, no seu quartinho aconchegante e escuro. Eis aí uma ótima oportunidade de fazer "Shhhhhh" com o dedo indicador entre os lábios e pedir silêncio: "Baby Sam is sleeping". A crianças entendem e copiam o meu gesto, até os mais agitados respeitam o sono do baby.

Todos, menos Enzo, que olha para mim com cara de "como você é infantil" e diz sem pestanejar: 
- Ele não vai acordar, ele dorme na HISTÓRIA.

Enzo será daqueles que contam para turminha que Papai Noel não existe.

A melhor cia das férias

"O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente."

Ser professor é...

- Teacher, fiz minha tarefa! Pesquisei tudo o que você me pediu! - contou David, 11 anos, bastante animado.
- Poxa, que legal! Vamos conferir?
- Sim! - respondeu me oferecendo a palma da mão.
- David, não acredito! Não tinha papel? Onde você colocou o seu caderno??

.....
Bryan, 33 anos, começou a tossir no meio da aula.
- Acho que preciso de um copo de d'água. Cof cof.
- Sim, claro, fique à vontade.
Bryan levantou-se, dirigiu-se à cozinha e voltou com uma long neck nas mãos.
- Bem melhor! - disse tomando o cuidado necessário para não deixar o rótulo da garrafa aparecer.

.....
Chego em casa cansada depois de um dia exaustivo de trabalho (só ao lado de adultos, é importante ressaltar). Nada melhor do que tirar o tênis, tomar um banho e desabar.
Na manhã seguinte, fôlego renovado. Depois de me arrumar, procuro o all star companheiro para calçá-lo novamente, eis que me dou conta: TAGUEARAM MEU TÊNIS!

Ela lê o jornal...

Ela lê o jornal como se acessasse as notícias de uma página da internet. Olha a capa, lê as manchetes, vai atrás da mais chamativa: Adriano atira em amiga dentro do carro, página E3. Corre os dedos por entre os cadernos, cadê o de  Esportes? Acha a matéria, lê de maneira indignada: até jogador de futebol anda armado hoje em dia, que absurdo! Pronto, fecha o jornal, volta para a capa: Rodízio suspenso até dia 7, Metrópole, página 2...

Ensinamentos do Urso Balu - Parte II

"Eu compro o necessário, somente o necessário..."
Para economizar $$, colaborar com preservação do meio-ambiente e, de quebra, ainda ajudar o Lar Escola São Francisco, Instituição que atende pessoas com deficiência física? Simples, simples:
BAZAR SAMBURÁ
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Catar feijão

Mila senta a minha frente para escolher feijão. Como antigamente, sabe? Espalhando os grãos na mesa e passando os olhos por todos eles para encontrar e descartar os estragadinhos.
Fiz feijão poucas vezes na vida e acho que sempre pulei essa parte. Não me lembro de escolher feijão, acreditava que tínhamos superado essa necessidade. Catar feijão é coisa de vó, em pleno século 21 o feijão já não vem catado?

E esse pretinho aqui? Apontei para um grão diferente dos outros.
"Esse é feijão do mesmo jeito. Isso é racismo, sabia, Gabriela?"