"Uma tarde chuvosa fiquei com desejo de um daqueles sanduíches de queijo com alface. Procurei em nossas coisas e achei exatamete 55 centavos, coloquei as moedas em minha capa de chuva cinza, com meu chapéu Maiakóviski, e fui ao Automat.
Peguei minha bandeja e depositei as moedas, mas o vidro não abriu. Tentei de novo sem sorte e então reparei que o preço havia subido para 65 centavos. Estava desapontada, para dizer o mínimo, quando ouvi uma voz: 'Posso ajudar?'.
Virei-me e ali estava Allen Ginsberg. Nunca havíamos nos encontrado antes, mas sem dúvida era um dos grandes poetas e ativistas do país. (...) Allen acrescentou os dez centavos que faltavam e ainda me pagou um café. Sem palavras, acompanhei-o até a mesa, e então ataquei o sanduíche.
Allen se apresentou. Ele falava sobre Walt Whitman e comentei que havia sido criada perto de Camden, onde Whitman fora enterrado, quando ele se inclinou para mim e olhou com mais atenção. 'Você é menina?', perguntou.
'Sou', falei. 'Algum problema?"
Ele só deu risada. 'Desculpe. Achei que você fosse um menino bonito.'
Então entendi tudo.
'Bem, isso quer dizer que devo devolver o sanduíche?'
'Não, aproveite. O engano foi meu.'
(...) Algum tempo depois Allen se tornou meu bom amigo e professor."
(Patti Smith, Só Garotos, p. 119)
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