São Paulo é a terra dos encontros

O relógio já passava das onze. No boteco perto da casa do Adri, um velhinho, daqueles bem velho mesmo, de boina e colete, bem acima do peso, com a pele marcada pelo tempo, mexia na bengala impacientemente. 
"Calma, Seu Amir, ela já está vindo!", garantiu a travesti de meia idade sentada a sua frente.
Ixi, pensei, a prostituta está atrasada. (Puro preconceito, né? Eu sei, mas foi inevitável.)
Eis que, para minha surpresa, aparece Dona Margô, uma vovó para lá de fofa, toda curvadinha e enrrugada, conduzida pelo braço por uma amiga bem mais jovem.
"Dona Margô, que bom que a senhora veio!" Levantou-se para cumprimentá-la a travesti e logo tratou de apresentar o amigo. "Olha só quem está aqui? O seu Amir. Senta lá do ladinho dele. Ele é libanês, adora cultura!"
.......
"Eu fui professora de primário durante muitos anos", contou Dona Margô.
"Então, vou ser seu aluno."
"Não, meus alunos tinham até 10 anos!"
"Eu tenho 9."

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