Em busca do tempo perdido

O interfone toca. Mila desce correndo e volta toda saltitante com um pacote nos braços: "meu livro chegou!". Mais um, pensei. É um Proust, gigante, No caminho de Swann, primeiro volume de outros seis gigantes que formam o Em Busca do Tempo Perdido. "Vou comprar os outros mais para frente", garante.
Nussa, fala sério! Vai ler Proust agora?! Desculpa, mas quem nos dias de hoje encara esses sete volumes? Haja paciência! São mais de 3.000 páginas! (segundo informação que coletei na orelha do livro enquanto xeretava assombrada com a ideia de ler a obra completa).
Mila me lança um olhar idignado: "Ué, você não leu Harry Potter?"
(Não, não li todos os harrys, mas nem vem ao caso, o argumento dela é bom. Fiquei sem resposta.)
......
Isso me lembrou do Bonsai, filme chileno muito bonitinho que vi no Festlatino por indicação de uma amiga, a Carol. No filme, um casal enfreta o desafio de ler Prost juntos, mas o amor não restiste a tantas páginas, a tanto tempo... (calma que eu não estou contando o final).
Fiquei com vontade de ler o romance que deu origem ao longa. (São só 60 páginas!) Quem sabe depois não encaro o desafio proustiano.

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