Parei. (um desabafo)

Assisti a várias sessões do Bergman no CCBB, com a ilustre companhia do cinéfilo Adriano Capelo. É difícil resistir à tentação de ver os filmes do sueco na tela grande, especialmente quando a rotina de trabalho está tranquila (e, não custa lembrar, Adri é um dos nóias, não existe programa nenhum na cidade, na modesta opinião dele, melhor do que encarar o escurinho do cinema).
Mas chega! Para mim, já deu! Cansei! "O Olho do Diabo" foi, como costumam dizer, a gota d'água; meu baldinho de paciência transbordou. Pobre Bergman... mas não, ele não tem nada a ver com isso. É o público da mostra que eu não aguento mais!
Essa última sessão foi demais, tensão do início ao fim; o próprio Diabo devia estar presente e muito satisfeito com o que viu. Primeiro foi a chiadeira sem fim. Poxa, não estávamos vendo uma comédia? É preciso mesmo fazer "shhh" até para as risadas? Vai entender... O carinha mais sem noção não polpou um "shhh" para os vizinhos, em compensação, repetia umas palavras soltas dos diálogos; acho que estava praticando a pronúncia do sueco (!). E o cheiro, argh, nem gostaria de falar sobre isso; uma mistura de suor, naftalina, guarda-roupa, sardinha... indecifrável.
Tudo isso já seria suficiente para qualquer pessoa pensar duas vezes antes de encarar a próxima sessão, não é? Deixei o pior para o final... (Conselho de amigo: Se você tem o estômago fraco, pare por aqui.) Na cadeira ao meu lado, a velhota gorda do nada iniciou uma meticulosa "limpeza no salão", em outras palavras, começou na cara dura a tirar catota do nariz! Socorroooo! Como se não bastasse, ainda fazia bolinha com a meleca e atirava praticamente no meu pé! Agrhblghkblek! Morri.
Sinto muito, Bergman, mas parei.

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