Adri é daqueles que andam

Pode até chover granizo, ele sempre vai preferir esperar um pouco para depois seguir caminhando. Transporte público? Só se for fora do horário de pico, mas ainda assim é melhor gastar a sola dos sapatos.
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"Voltei de taxi" foi a mensagem que chegou no meu celular.

Como assim? Adri não está bem. Só tem um motivo no mundo que o faz abandonar os príncipios e correr para dentro de um táxi... dor de barriga.

Eu falei que salmão cru e bolonhesa não davam uma boa mistura.

Quem nunca...

Deixou o bolo queimar ou colocou o garfo no liquidificador?


Para ler antes de arrumar um cachorro

Passeio, comida, pet shop, cocô, xixi, jornal, pêlos, choro, latido, elavador de serviço, mau cheiro, $$, veterinário, toza, pulga, carrapato, vacina, rotina, patas sujas no lençol, passeio de novo, xixi de novo, cocô de novo...

Pesadelo 2

Sabe aqueles dias em que você agradeceria se deus acabasse sem dó com a humanidade? Bom, para mim, esses dias geralmente caem nos sábados em que eu tenho que acordar cedo para trabalhar. Saio atrasada, sonolenta, com a cara de quem caiu da cama mesmo, ponho a primeira roupa que encontro e sigo para o ponto de ônibus. "Quero dormir, quero dormir, quero dormir..." é o mantra que ecoa nos meus pensamentos.
Mas hoje não, hoje o mundo acabar ainda seria pouco. Ônibus lotado, uma gritaria louca, jovens rindo alto, arremessando salgadinhos, sem piedade do meu mau humor. Socorro, que animação é essa logo cedo? Será que peguei o busão a caminho do Playcenter?! Não é possível, isso lá é hora para pagar meus pecados? Na primeira oportunidade, perguntei a umas das mocinhas o motivo de tanta alegria:
- É excursão do trabalho, estamos indo para o Ibirapuera passar o dia.
Como assim? NINGUÉM vai trabalhar?
Ficou ofendidinha quando disse que queria o emprego dela.

Quase o ônibus inteiro desce no Ibira, ficam só os trabalhadores, finalmente um pouco de paz. Ao meu lado senta uma senhora cheia de sacolas:
-Acho que estou muito velha para carregar tanta coisa, né?
Balanço a cabeça em solidariedade.
- É que eu estou indo para o interior, meu pai está na UTI...
Pronto, acabou-se o que era doce.

Não me tranca que eu te tranco

Mila aprendeu a jogar cartas quando ainda era criança, devia ter uns dez anos, não mais que isso. Olhava os adultos jogando durante os encontros de família e queria participar de todo o jeito. Um dia, nas férias, pediu para o nosso Ditian ensiná-la. Pronto, passou-se assim a tradição para mais uma geração. Incrível como ela pegou o jeito rápido. É que o Ditian não foi um professor dos mais fáceis: trapaceava escondendo cartas e ainda blefava para deixá-la insegura: "Tem certeza que vai jogar essa carta?" ou "Carta do meio, essa é boa! Compra!". Para ele, não tinha esse negócio de passa-tempo, brincadeira em família ou coisas assim; jogava para ganhar.
No fim, ele criou um monstrinho. Mila superou o mestre, joga muito bem, mas diferente do avô, fica sempre em silêncio, não antecipa jogada nenhuma. Tem sangue frio, organiza as cartas na mão e, quando você menos espera, começa a baixar os jogos um a um, faz as canastras e bate, te enfiando prazeirosamente no buraco, sem dó nem piedade. É nessa hora que, normalmente, eu tenho vontade de virar a mesa e gritar: "Cuzona, não jogo mais com você!"

É verdade, eu sou a piorzinha da família... me embaralho toda na hora do descarte, nunca sei que carta jogar fora e, às vezes, seguro o jogo todo cartas sem importância. Nessas horas imagino Ditian me assistindo: "Tsc, tsc, tsc, mas essa aí não aprendeu nada comigo mesmo."

Sobre a importância de contratar bons profissionais para qualquer tipo de serviço

By Laurie Anderson

Speaking Japanese

A couple of years ago I did some concerts in Japan and I decided to sing all the songs in Japanese. So I learned them phonetically and it took a couple of months but I was pretty proud of myself. Then after the first concert the Japanese promoter came back stage and said: "Excuse me, pardon me, but you speak English really well. But excuse me, pardon me, in Japanese you have a quite bad stutter." I couldn't believe it. Later I discovered that the guy who had made the casette for me to copy had a really bad st-st-stutter and I copied everything perfectly, carefully noting that this particular word was "ts ts tsuru" and this other one "ts-TZ ts tsuru". Anyway, it was impossible to unlearn the s-s-ongs because the st-stuttering had became so much p-p-part of the rrrhytm of m-my music.

Parei. (um desabafo)

Assisti a várias sessões do Bergman no CCBB, com a ilustre companhia do cinéfilo Adriano Capelo. É difícil resistir à tentação de ver os filmes do sueco na tela grande, especialmente quando a rotina de trabalho está tranquila (e, não custa lembrar, Adri é um dos nóias, não existe programa nenhum na cidade, na modesta opinião dele, melhor do que encarar o escurinho do cinema).
Mas chega! Para mim, já deu! Cansei! "O Olho do Diabo" foi, como costumam dizer, a gota d'água; meu baldinho de paciência transbordou. Pobre Bergman... mas não, ele não tem nada a ver com isso. É o público da mostra que eu não aguento mais!
Essa última sessão foi demais, tensão do início ao fim; o próprio Diabo devia estar presente e muito satisfeito com o que viu. Primeiro foi a chiadeira sem fim. Poxa, não estávamos vendo uma comédia? É preciso mesmo fazer "shhh" até para as risadas? Vai entender... O carinha mais sem noção não polpou um "shhh" para os vizinhos, em compensação, repetia umas palavras soltas dos diálogos; acho que estava praticando a pronúncia do sueco (!). E o cheiro, argh, nem gostaria de falar sobre isso; uma mistura de suor, naftalina, guarda-roupa, sardinha... indecifrável.
Tudo isso já seria suficiente para qualquer pessoa pensar duas vezes antes de encarar a próxima sessão, não é? Deixei o pior para o final... (Conselho de amigo: Se você tem o estômago fraco, pare por aqui.) Na cadeira ao meu lado, a velhota gorda do nada iniciou uma meticulosa "limpeza no salão", em outras palavras, começou na cara dura a tirar catota do nariz! Socorroooo! Como se não bastasse, ainda fazia bolinha com a meleca e atirava praticamente no meu pé! Agrhblghkblek! Morri.
Sinto muito, Bergman, mas parei.

Para Mila

A vida seria muito triste sem você para tirar as farpinhas de madeira que entram no meu mindinho.

"Hoje eu não tô afim de corre-corre e confusão.
Eu quero passar a tarde estourando plástico bolha."

Mais uma burguesinha hipócrita

É díficil assumir, mas é verdade, não passo de mais uma moradora hipócrita da capital.
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Concordo com praticamente tudo que escreve o blogueiro Sakamoto, às vezes me incomoda um pouco o seu tom sarcástico e inflamado em exagero, mas ele não deixa de ter razão. A cidade de SP, com Kassab a frente da administração, está cada vez mais excludente e elitista. Mais triste ainda é ver que existem pessoas que concordam com suas políticas descaradas de exclusão como, por exemplo, a proibição de entrega de sopa para os moradores de rua no centro da cidade ou ainda os bancos anti-mendigo. (clique aqui e saiba mais). Eu tenho vergonha.
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Não gosto nada da ideia de levarem meu celular num arrastão.