Andar pela cidade é remexer o caldeirão borbulhante da memória. Bom, pelo menos é para o Adri... "Foi aqui que extrai os dentes do siso", ele diz apontando para uma casinha branca em algum lugar em Pinheiros. "Já expus nesse prédio". Oi? "É, quando estava no primário a escola fez um convênio para expor os desenhos dos alunos, era um hotel antigamente. Eu desenhei uma praia e um cara saltando na água de uma pedra e..."(neste momento, já estou boquiaberta, ele está lembrando até as cores do desenho!). Mais a frente: "Eu e o João já tagueamos esse muro, pena que ele foi pintado".
Como pode? Tenho dificuldade até para lembrar o caminho de casa! Pergunto-me até hoje onde era o consultório da primeira dentista que me atendeu em São Paulo; ela era tão boa... pena que não guardei o endereço, nem o nome dela eu lembro.
Ele é bom também com nomes também. Filmes, diretores, atores, romancistas, filósofos, políticos, novos, velhos, mortos, tudo; ele lembra e eu não.
Dia desses, conversando sobre a mostra do Louis Malle, afirmei categoricamente: só vi um filme dele, tem um tempão já, na época da faculdade. "A gente viu juntos Os amantes esse ano". Não vi. "Viu". Não vi. "Viu". Não vi, não vi e não vi! "Era sobre uma mulher que vai a Paris passear com amiga e começa a trair o marido com um jogador de pólo famoso". Ok, eu vi.
Agora ele quer me convencer que jantei em um restaurante em que não jantei. Acho que vou acreditar.
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