Último aprendizado de 2013

Vodka não foi feita para ser misturada com leite.
(Atenção: o leite pode vir disfarçado de "Dude Cream")

A primeira pergunta antes de começar um relacionamento

"Você mata barata voadora?"
Se a resposta for positiva, você continua:
"Vamos supor que você me ama, que estamos juntos e blablablá, se eu te ligar no meio da noite, desesperada, você viria correndo até a minha casa matar a barata voadora que entrou pela janela do banheiro?"
...

Fim do Natal. Noite quente. Papai e mamãe vão embora. Irmãozinho fica mais um pouco mas parte no mesmo dia. Quinze minutos depois, uma barata voadora gigantesca atravessa o banheiro.

POR QUÊ?! POR QUÊ, MEU DEUS?! POR QUÊ?!!!

Às avessas

Andando pelas ruas de bh, fui parada por um grupo de estudantes uniformizadas. Me cercaram saltitantes e depois me entregaram uma bala 7 Belo grampeada num pedaço de papel colorido. Na tira, uma citação de "A Cabana". (Juro que peguei sem contorcer o rosto!)

- É nosso projeto de leitura. Queremos incentivar as pessoas a lerem - me explicou uma delas.
- Nossa que legal! E vocês leram todos esses livros? - tive que perguntar depois de notar a cesta cheia de papéis e balas.
- Não, a gente pegou na Internet mesmo....

Pois é...

Mineirês

Me deixou o gps na mão e pediu para que eu informasse o caminho enquanto ele dirigia.

- Tem que entrar na rua Tiradentes.
- Eu não sei o nome das ruas aqui não, sô! Fala o caminho.
- Tá, agora tem uma curva bem acentuada à direita.
- QUÊ?
- VIRADONA À DIREITA!
- Ah, tá.
....

"Logo ali" de mineiro é uma redução de "é logo ali na putaquepariu da casa do caralho".
Mas não tem jeito, isso você só descobre depois de perder metade da sola do sapato no asfalto e pedir informação mais algumas vezes.
...

Feijoada na sexta?!

Entrou. Endireitou o quadro na parede e foi embora.

Meu coração continua uma desordem.

Toalha

Desligar o chuveiro e notar que esqueceu a toalha só não é pior do terminar o "servicinho" e ficar sem papel higiênico.

Durante esses três meses que você passou fora, tive que me virar como pude. Dava saltinhos e apertava bem o cabelo molhado para evitar ao máximo encharcar o corredor. Às vezes, vestia o pijama sem me enxugar. E, tenho que confessar, quando estava muito frio, apelava para a toalhinha de mão.

O papel higiênico, por sorte, não me deu tantos problemas. Aprendi a deixar um estoque no banheiro... o difícil sempre foi me lembar da toalha.
...

A porta se abre bruscamente e interrompe meu banho:
"Tô, Gab, sua toalha."

Fico feliz que esteja de volta.

Meu coração em frangalhos

Depois de um ano de encontros semanais, minha aluninha de seis anos vai parar de fazer aulas de português comigo e voltar para a Inglaterra. Mas como dizer adeus para um ser tão pequenino?
...
Você, Nena, vai embora, vai crescer, estudar, namorar e vai se lembrar cada vez com mais dificuldades das nossas brincadeiras... Não vai mais cantar a música do caminhão de laranja, jogar o jogo da bexiga e nem tirar par ou ímpar.

E eu vou ficar por aqui, sem saber se seu dente mole caiu, se você levou mais mordidas de pernilongo ou se gostou da aula de tênis. Não vou mais te ouvir tocar flauta, nem pedir para que pare de brigar com seu irmão. Não vou mais ganhar chocolate e também não chuparemos mais pirulitos na pracinha. Não iremos mais ao parquinho e assim não vou mais assistir suas piruetas no trepa-trepa, morrendo de medo de te ver se esborrachar no chão... é que eu não saberia o que fazer, teria que explicar tudo direitinho para sua mãe, você sabe, né? seria uma super saia justa!

Ai, vou morrer de saudades.

Obrigada

Obrigada pela paciência.
Por me estender a mão, por me ajudar a levantar, a chacoalhar a poeira da roupa, limpar a maquiagem borrada, prender os cabelos, assoar o nariz.
Obrigada por ter levado em conta os meus sentimentos, por ter estado presente todo esse tempo em que você podia ter simplesmente virado as costas. Obrigada por não virar as costas.

Eu frágil, bobona, com as pernas bambas, reaprendi a andar segurando os seus braços. Você paciente engoliu o que sentia para me deixar confiante, mais madura, mais dona de mim.

Agora, depois de 4 meses, eu me sinto melhor. Sinto que consigo caminhar me equilibrando nos meus próprios pés. Frio na barriga. Ainda acho que era para sermos felizes para sempre.

Te amo eternamente. Mas agora de um jeito diferente. Agora eu sei. O amor não acaba, vai virando outras coisas.

Santo Amaro, altura do 2500

De repente, um grito:
" Motorista, devagar com esse freio que a carga é VIVA!"

Hoje

Hoje não é o dia mais triste da minha vida porque amanhã será mais triste do que hoje. E depois de amanhã ainda mais triste que amanhã. E na próxima semana, a tristeza será tamanha que acharei que hoje estava feliz.

Refluxo

Liguei, chorei, xinguei, disse tudo o que queria e o que não queria também.

Tive um refluxo... sinal de as coisas ainda não foram digeridas.

Felicidade

É um pedaço de bolo de chocolate que te aguarda na geladeira. Não, não é um bolo qualquer. É bolo de chocolate recheado de doce de leite caseiro e com cobertura de café, feito carinhosamente por mãos de mais de 80 anos.

Você pega o trem lotado em Santo Amaro, depois de caminhar 20 min debaixo de chuva. A cidade alagada, seus sapatos molhados, a fila gigantesca para o embarque, a confusão na estação Pinheiros, as cotoveladas para sair do trem... Nada te tira o sorriso do rosto. Afinal, a sua felicidade está segura, te esperando comportada em temperatura próxima dos 2º.

Chega em casa e... caraleo! Comeram sua felicidade!
.....

Mentira! O bolo estava lá, a Mila só chega amanhã. Há!

... são coisas muito grandes para esquecer

Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada do tempo.
Do tempo que trasforma todo amor em quase nada.

(Roberto, o rei)

A Mostra é...

Entegar-se ao acaso.
...
Você perde uns bons 30 min folheando a programação. Finalmente, escolhe um filme.  Vai ao cinema e se depara com o aviso: "ingressos esgotados". Corre até o cine mais próximo e descobre que tem um filme começando.  Compra ingresso.  Dá um pulo no banheiro. Quando vai entrar na sala descobre que a mulher da bilheteria te vendeu as entradas erradas. Você acaba assistindo um programa de curtas do Eduardo Coutinho.
...
Você aproveita a hora do almoço para fazer uma correria e garantir ingressos do filme que quer muito ver.  Chega no cinema e descobre q o filme não está na programação. Você marcou. Confundiu as datas. Compra entradas para "Zonra, meu sobrinho idiota".  Na verdade, o filme deveria se chamar: "Gabriela, você é uma idiota".
...
Quatro dias de mostra e eu já estou passada.
...
Japa vidente, eu te odeio!

Catalonha ou a arte de economizar uns trocados

Todos os responsáveis pelo lar sabem que o cardápio das refeições deve seguir as variações de preço dos alimentos. Simples assim, se a beterraba está cara, vamos comer cenoura.

No mercado, o pacote grande de catalonha higienizado estava 1,75. Não tive dúvidas. Que bela economia!
Comi salada de catalonha, catalonha no sanduíche, catalonha refogada, catalonha com linão, catalonha no molho do macarrão...

Gente, eu odeio catalonha!

drama X amor

sem drama = com amor
sem amor = com drama

Arroz com feijão

Não tem jeito, relacionamento longo sempre acaba virando arroz com feijão. É bom, mas chega uma hora que enjoa. Aí, você começa a sentir vontade de um cardápio mais elaborado... sei lá, um risoto de funghi, ceviche, frutos do mar, uma carne com corte argentino...
O problema é que, até encontrar o que procura, acaba tendo que engolir muito ovo cozido e pão velho com margarina. Quando fica doente ou com insônia, dá até vontade de voltar para o arroz com feijão.

Uma boa ideia é jejuar.

Vida...

O que mais falta você me esfregar na cara?

(muito medo da resposta)

Ahh, família...

Mamãe:
"Ah, mas esse filme é muito velho! Nunca viu? No final, ele é culpado, é ele que mata a menina mesmo. Agora vamos ver o jogo de tênis..."
E troca de canal.
....
Papai tirando as carnes da churrasqueira:
"Pedro, Gabi, Mila, olha a picanha saindo!"
Então, pai, a Mila está no México...

Mau humor

Comprei um cheetos bola para abrir no busão.

Machismo (salve-se quem puder!!)

Na copa, os professores se trombam para tomar um café. Gente de todas as áreas, tipos e tamanhos interagem entre si como podem. Bom, não chega a ser tão impessoal quanto conversa de elevador, mas é parecido. Num desses bate-papos, o assunto da vez foi o ninho de sabiá que um professor tinha encontrado no quintal de sua casa. Ele contava orgulhoso:
- É incrivel, a passarinha não deixava os ovos por nada! Ficou treze dias lá quietinha, enquanto o macho trazia comida... Treze dias até que saiu um pouco e eu consegui fotografar o ninho.
Até aí ok, vamos levando, não fosse o cometário do professor de TI:
- Olha, que legal. Esse que é o modelo de família verdadeiro.... pena que nós estamos perdendo isso, né?

Não sei que cara fiz mas minha vontade foi de virar o copinho de café na camisa branca do infeliz.
VAI VOCÊ PASSAR TREZE DIAS ESQUENTANDO A BUNDA EM CIMA DE OVOS! ALGUÉM PERGUNTOU SE A PASSARINHA ESTÁ SATISFEITA COM A FUNÇÃO DE CHOCADEIRA?!

Pérola do fim de semana

"Mamãe passou açúcar ni mim."
Pedro Henrique, 24 anos, no elevador do Frei Caneca.

Foi a conclusão mais razoável que chegou, depois que um casal de velhinhos elogiou sua mistura étnica.

Modéstia pra quê?
(Ele é gato mesmo... tem bons genes.)

Como a cigarra

O tempo está muito seco, é bom deixar os olhos marejarem...

"Tantas veces me mataron,
tantas veces me morí,
sin embargo estoy aquí 
resucitando.
Gracias doy a la desgracia
y a la mano con puñal,
porque me mató tan mal,
y seguí cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces me borraron,
tantas desaparecí,
a mi propio entierro fui,
solo y llorando.
Hice un nudo del pañuelo,
pero me olvidé después
que no era la única vez
y seguí cantando.

Cantando al sol,
como la cigarra,
después de un año
bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces te mataron,
tantas resucitarás
cuántas noches pasarás
desesperando.
Y a la hora del naufragio
y a la de la oscuridad
alguien te rescatará,
para ir cantando."

Videntismo

Pegou uma lupa para enxergar melhor as minhas unhas. Quando chegou no anelar da mão esquerda, uma marquinha branca o assustou.  Disse sem despregar os olhos da lupa: vai perder o namorado! 
Levantou o rosto. Minha cara não era das mais agradáveis. Deu uma tossidinha, continuou: ou vai perder dinheiro... dinheiro ou namorado, mas vai perder! Cuidado dois meses!

A marquinha branca está quase alcançando o limite da unha. Não vejo a hora de acabar com essa sina!
O japa vidente estava errado.  Quando me sentei em sua frente, não havia mais nada a perder.

Libriana em parafusos

O horóscopo diz com exclamativas: "Gabriela! Os momentos cheios da Lua tendem a ser fases particularmente instáveis, num sentido emocional. Procure descansar, recolher-se, evitar farras e festas. Você estará vivendo uma fase fisicamente delicada. Repouse!"

Mais instabilidade?! Até a Lua está querendo me foder!
Lua, sua gorda!

Para acabar de esmigalhar o já destruído coração

O amor acaba, por Paulo Mendes Campos

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Alguém me abraça?

(Copiei e colei do blog da Mila que, por sua vez, copiou e colou do blog de um outro alguém)

Rebeldia (após 2 semanas de aula)

Foda-se esse maldito curso que resolvi fazer! Como assim, não basta o corpo presente?! Tem que ler e participar?!
Ah, foda-se! Já passei faz tempo da idade de ler coisa chata! Vou me entregar sem culpa áquilo que me atrai... a literatura despretensiosa.

O primeiro problema da separação

Peguei a bibliografia do curso e notei que, grande parte dela, eu poderia retirar facilmente das prateleiras do seu quarto.
...
Peguei, folheei, li a orelha, mas deixei a leitura de Os Dois Irmãos, de Milton Hatoum, para depois. Agora estou aqui e o livro está aí.
...
Vou voltar a frequentar a biblioteca.

Da série: o mais bobo é quem me diz

Durante muito tempo ele me perguntou se minha geladeira era verde escuro. Hoje em dia ele pergunta se é cinza cromo...
Vou começar a deixar a porta do carro aberta.

Toda bêbada canta

Depois de afogar as mágoas na cachaça, causar na pista como se não houvesse amanhã, perder um brinco e descer do salto... a gente canta Sílvia Machete.
...
No show de ontem, as tiazonas não economizaram nas caipirinhas. Nunca vi tanta gente bêbada na choperia do Sesc Pompéia. E olha que lá você normalmente tem só uma hora e meia para tomar todas.
...
Essa música me lembra da Vera.

A maravilhosa cozinha de Camila

Quis me agradar. Vai ficar três meses longe e achou interessante atender a um simplório pedido meu: vontade de comer kibe.
Passou no mercado, comprou todos os ingredientes, mal entrou em casa e já foi direto para a cozinha. Amassava a carne enquanto cantarolava as últimas da Tulipa Ruiz. Achei lindo.
Depois de 40 min, ao abrir o forno, uma surpesa! O kibe de assadeira, contrariando as experiências anteriores, encolhera absurdamente e no momento boiava no próprio caldo. Confesso que a visão não era das mais apetitosas.
O que faz do kibe um kibe e não um bolo de carne? Sim, a farinha de kibe, o ingrediente que ela esquecera de colocar.
Imagino que você também deva estar se perguntando... mas como uma pessoa resolve fazer um kibe e esquece da farinha de kibe? Incrível. Seria o mesmo que ir ao Vaticano e não passar pela Capela Sistina?
O casal de amigos na sala tratou de pôr panos quentes na situação. "Humm, mas o cheiro está ótimo!"
Afinal, amigo prova que é amigo nessas horas de deslize mental.
Eu continuo esperando pelo kibe.

Coisas da gemelidade 6

Não é todo namorado que recebe uma mensagem dessas no meio da tarde: 
"Agora é que eu descobri que a sua mina tem uma irmã gêmea. Tava achando ela a pessoa mais mascarada da Terra."
Poxa, sempre fui tão legal com a rapaziada...

Sexta-feira

ela: vai sair?
eu: não, tenho aula agora mas depois estou livre -, respondi ingenuamente acreditando que ela queria a minha cia.
ela: posso pegar seu bilhete único?

Atraso

Depois de quase 29 anos de existência, 10 anos de ingresso no curso de Letras e 5 de leitora "daquilo que me dá na telha", finalmente abri o Cem Anos de Solidão. Por que não fiz isso antes?
...
Na edição da Record, as primeiras páginas do livro trazem o discurso que o autor fez quando recebeu o Nobel, em 82. Não se lê um texto desse sem sentir os olhos marejarem.
...
Já pensou morrer sem ler García Márquez?

A felicidade mora no estômago

Ah, o tão esperado mês de julho chegou...
Não, não estou de férias. Quem me dera... essa palavra está sumindo dos meus dicionários, mas pouco importa! Eu tenho um dia livre!

Ah, um dia inteirinho livre. As pessoas trabalhando, a Mila voltando de Piaçaguera. E eu aqui... O que vou fazer hoje?
http://catracalivre.com.br/geral/gastronomia/indicacao/receita-rapida-de-panqueca-americana/

Descobri algo mais gordo do que pedir pizza sozinha.
A vida é bela.

Onde isso tudo vai parar?

Estes dias conturbados, de muita movimentação política e passeatas nonsense de gente que pela primeira vez põe os pés nas ruas, somados às atribulações do dia-a-dia, não podiam dar em outra: o que aconteceu com minha sanidade mental?
...
Comi quase inteiro um guardanapo de papel. Não percebi que junto com a inocente folha de alface um intruso se aproveitou de minha fragilidade emocional e pulou para dentro de meu sanduíche.
...
Mila pediu o ketchup e eu trouxe da geladeira calda de sorvete. Ela só percebeu a troca depois de se lambuzar de chocolate.
...
Onde isso tudo vai parar, meodeos?

13 de junho de 2013

na rua (por Vera, http://helenadicecca.wordpress.com/)

você,
mostre as suas armas,
os seus dentes, suas garras.
mostre à luz do poste laranja
e do holofote da imprensa
a que você veio.
você veio pra barbarizar
pra chocar
pra dizimar.

.

você,
veio a mando de que tem te engana
de quem te usa
e de quem te pisa.

.

vocês,
vieram pra somar
pra escancarar
pra insubordinar.
armados com vinagres
com pernas e bocas.
com a indignação dos que sofrem
dos que se espremem na fila e no fim do mês.
a tropa de vocês é legitimada
não pelo monopólio da força e da voz
mas pelo coro que clama
por quem reclama
e não se engana.

.

o vandalismo está do outro lado de quem samba.
a violência está nos olhos de quem sente
a bomba
o tombo
o medo
a náusea

.

não há romantismo na luta.
há indignação.
há miséria
e união.

.

é babilônia
é paulicéia
é nação.

It's for the people in the world

Ben tem 4 anos. Hoje à tarde, quando saí da casa dele, estava brincando de cozinhar. De pé, em frente a cozinha de plástico colorido, ele mexia nas panelinhas com bastante desenvoltura: "Mummy! I'm cooking biscuits! I'm cooking gingerbread!"
"Humm, Sounds good, Ben!", respondeu a mummy.
"But it's not for you."
"Oh, it's not for me... ok..."
"It's for the people in the world!"

Falta amor em São Paulo ou gentileza gera gentileza (às avessas)

No fundo tudo o que ela queria era me dar uma lição. Quando fui entregar com atraso minha folha de ponto assinada e ela me recebeu de cara fechada e com muito mau-humor, eu já sabia: ela queria que eu entendesse que prazos existem para que sejam cumpridos. "Não, não posso ajudar, o prazo de entrega era ontem. Procure seu técnico de área.", foi o que ela disse me encaminhando para a saída.
Longe de querer desmerecer o trabalho alheio e tentar justificar uma falta que eu sei que foi minha... mas PORRA! É só uma FOLHA DE PONTO! Eu teria ficado muito agradecida se, antes de me enxontar para fora da sala como um cachorro vadio, ela tivesse me perguntado os motivos do atraso. Sim, eu teria tido o imenso prazer de infomá-la que eu andava trabalhando que nem um corno manso e desalmado e que a entrega da maldita folha de ponto no prazo não ocupava nenhum dos itens de minha listinha de prioridades.
Mas a vida é bela e tudo tem um lado positivo, não é mesmo?! É claro que aprendi minha lição! Da próxima vez que encontrá-la pelos corredores e ela me disser bom dia, vou responder muito feliz: SEU CU!

Papai Noel existe

Não entendo essa de camarote vip em balada. Geralmente, quando as pessoas vão para a balada não é para conhecer gente nova, se dar bem e tudo o mais? Por que então fechar um camarote particular? Não quer se misturar, é melhor ficar em casa.
"Tem mulher que sai só para dançar com as amigas..."
Ah, vá! Quem você conhece que sai só para dançar com as amigas?!
"Todas as meninas que xavequei e me disseram que estavam lá só para dançar com as amigas."
...
Claro, desculpa...

É sinal de azar!

Um passo depois do outro; conversa vai, conversa vem. Mas de repende você pára. Sente que alguma coisa caiu em sua cabeça. Olha para o chão. Não, não dever ter sido esse graveto... Olha para seu companheiro de caminhada já imaginando o pior... "Ixi, Gab, mas é sinal de sorte."
CARALHO!! POMBA FILHA DA PUTA!!!!

O tempo virou e estragou meus planos. Tomei toda essa chuva gelada de inverno. Dentro do tênis molhado, meu pé quase congelou. Nem a "boa" da padaria do mackenzie estava assim tão boa... Também não ganhei na mega-sena, isso quer dizer que amanhã volto para o trabalho. Nada de viagem ao redor mundo e mais planos para torrar os 43milhões do prêmio... Droga. Me pergunto de onde surgiu essa relação que fazem entre sorte e cocô de ratos voadores, não faz sentido!
Nos dias de hoje, sorte é andar na rua sem que caguem na sua cabeça.

Não se esqueça

A vida é muito curta para... CHUTAR CACHORRO MORTO.

Doce de abóbora

1kg de abóbora cortada em cubos
1/2kg de açúcar
Cravo a gosto
Modo de preparo: coloque tudo na panela de pressão e deixe cozinhar por 20 minutos. 

Achou fácil? É porque nunca descascou e cortou em cubos a abóbora.

Da série "podia ter acontecido com qualquer um, só que não"

O telefone toca:
Eu: Alô?
Desconhecida: Por favor, o Sr. Murilo "Alguma Coisa" está?
Eu: Não tem ninguém aqui com esse nome.
Desconhecida: Será que tem algum adulto aí que pode me passar o telefone dele?
Eu: (vsf!!!)
.....

No caixa do supermercado:
Caixa: Quer cpf na nota?
Eu: Pode ser...
Caixa: Pode digitar.
Eu: Ah, deixa, não precisa não. (estava com as mãos ocupadas, segurando várias sacolas)
Caixa: Deixa de preguiça, digita aí.
Eu: É final do dia, dá preguiça mesmo.
Caixa: O que você faz?
Eu: Eu dou aula.
Caixa: Ihhh... entendo.
Eu: ...

Exagero é...

Eu, solteira, sem filhos, sem Mila (por esses dias), tenho na fruteira de casa: meia dúzia de ponkans, várias laranjas, um cacho de banana, oito limões, duas mangas e mais um saco daquelas maçãzinhas tipo Turma da Mônica. Desde que meus pais voltaram para o interior, estou comendo fruta todos os dias. Será que era essa a ideia?

Mila e sua bagagem gastronômica

Voltou do Chile falando de um tal "arri de galinha", uma espécia de strogonoff de frango com pimenta. No Natal, como entradinha, preparou um rocambole de atum, cream cheese e shoyu; receita um tanto exótica que também foi descoberta em sua última viagem ao Chile. Depois de jantar na casa de uma amiga, queria fazer de todo o jeito a moqueca que tinha experimentado por lá: "é fácil, vou fazer para você". Em Belém, descobriu as frutas tropicais e o sorvete de bacuri. Na época da faculdade, quando voltava para casa nos feriados, a sensação era fazer as bebidas alcoólicas que animavam a moçada para o papai experimentar. Ele sempre incentivava a brincadeira, dizia que estava bom, mas era ela que acabava tomando a maior parte dos ponches e batidas de abacaxi.
E agora, que novidade virá da Itália?

Felicidade genuína

Nina no parquinho corria de um lado para outro sem parar, dava cambalhotas na areia e não cansava de se pendurar no trepa-trepa. Sorria, pulava, gritava e até beijinhos nos brinquedos de madeira ela distribuiu. Era uma alegria tão pura e sincera que me deu um nó no estômago. Não me lembro da última vez em que fui feliz assim. Por que é que a gente cresce desaprendendo a ser feliz? Quero a minha inocência de volta.

Não é fácil

Parou diante do espelho. Olhou atentamente cada detalhe de seu rosto: a pinta na bochecha esquerda, as marcas das espinhas da adolescência, os cravos do nariz, as bolsas de cansaço sob os olhos. Levantou a franja. Franziu a testa. Jogou os cabelos de um lado, depois para outro. Fez caretas e biquinhos. Levantou as sobrancelhas, primeiro uma de cada de vez, depois as duas... Nada. Será que era a única que não via?
- "Alguém, por favor! Certeza que não está escrito 'OTÁRIA' na minha testa?!" 

Se fosse simples assim...

Sai de casa com sua melhor roupa, é tarde da noite, anda sem rumo até decidir ir ao restaurante favorito deles. O salão está escuro, os funcionários já foram embora. Não sabe como entra, já aparece lá dentro. Silêncio. Anda ao redor das mesas. Seus olhos se enchem de lágrimas. Está triste e desiludida. Olha as janelas, os quadros na parede, tudo a faz lembrar dele. (Aqui entra um flashback dos momentos felizes dos dois juntos: correndo na praia, dividindo a água de coco e fazendo amor na posição "papai e mamãe"). De repente, ela sente a presença dele. Se vira brunscamente, e lá está o responsável por seu aperto no coração. Ele também saiu para caminhar e acabaram no mesmo lugar. Dois passos os separam. Olhos nos olhos. Segundos se passam sem que mexam um músculo. Os batimentos cardíacos aceleram. A atração é incontrolável. Eles se abraçam intensamente, sem palavras, com beijos sufocantes de lábios que há muito não se encontravam. Neste mesmo instante, começa a tocar a trilha sonora especialmente escolhida para eles: o último lançamento da Adele. Todos os problemas, desentendimentos, traições são esquecidos. Estão juntos, é o que importa. No final, já sabemos, serão felizes para sempre.

Livro certo na hora errada ou hora certa com o livro errado

"... no fundo era normal que não soubesse o que queria:
Nunca se pode saber o que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-lá nas vidas posteriores.
Seria melhor ficar com Tereza ou continuar sozinho?
Não existe meio de verficar qual é a decisão acertada, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que leva a vida a parecer sempre um esboço. No entanto, mesmo esboço não é a palavra certa, pois um esboço é sempre o projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro." p. 14

"Tomas dizia consigo mesmo: deitar-se com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não apenas diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma multidão inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (esse desejo diz respeito a uma só mulher)." p. 22

Trava-língua da depressão

O tempo perguntou pro tempo qual era o tempo mais lento. O tempo respondeu pro tempo que o tempo mais lento era o tempo do desalento.

Chiclete

Show me, show me, show me how you do that trick
"The one that makes me scream," she said
"The one that makes me laugh," she said
And threw her arms around my neck
Show me how you do it
And I promise you, I promise that
I'll run away with you
I'll run away with you

O peso dos anos

Você percebe que deixou de ser jovem quando...
- Passa a contar os dias para enfiar o pé na jaca;
- Usa a expressão "enficar o pé na jaca".

Amanhã, depois de meses de espera, é dia de acordar na sarjeta com as lambidas dos cães de rua.

Tranporte público é público

Ônibus sentido Santo Amaro segue cheio. Sete e quinze da manhã. Funcionários da repartição, professores horistas, secretárias, recepcionistas, auxiliares administrativos e financeiros, assistentes, esteticistas, manicures, cabelereiros, faxineiros, porteiros, seguranças de supermercado, estudantes universitários atrasados para a primeira aula, estagiários, eletricistas... Uns de banho tomando, outros sem café da manhã, mas todos compartilhando os mesmos 46m² em movimento. 
Uma segunda-feira tipicamente paulistana: céu cinza, caras amarradas, mau-humor.
Numa das paradas da Nove de Julho, sobe um usuário nada familiar. Calça rasgada, blusa encardida, cabelo que desconhece a existência do shampoo, cheiro de cachaça e urina, unhas pretas de sujeira.
Pessoas se apertam para dar passagem ao intruso, levam a mão à boca. Um clarão se abre em meio aos assentos. Ele fala e gesticula agressivamente; não está sozinho, tomou o ônibus com um amigo invisível de longa data.
Um dona engomadinha comenta:
- Já não basta esse calor, esse ônibus cheio... mais essa agora. Tinha que pelo menos tomar banho, né?
- Na verdade, só precisa pagar a passagem. Ele pagou.

Ela queria demais

Ela queria que ele ficasse com ela.
Ela queria que ele quisesse ficar com ela.
Ela queria que ele quisesse que ela ficasse com ele.
Ela queria que ele quisesse que ela quisesse ficar com ele.

Dias Felizes

Enterrada até a cintura, completamente presa à rotina e aos pequenos aos objetos do cotidiano: a bolsa, o creme facial, o celular, a escova de dentes com cerdas macias... Eu acordo com o alarme de despertar e durmo com o alarme de dormir. Eu falo sozinha, interajo comigo mesmo e com interlocutores que não me ouvem. Eu aguardo o momento em que estarei enterrada até o pescoço. Por enquanto, eu durmo com o alarme de dormir já pensando no alarme de acordar; eu acordo com o alarme de despertar esperando o alarme de dormir. Eu durmo e acordo, durmo e acordo... A rotina me corrói por dentro ao mesmo tempo em que mantém minha sanidade. Winnie sou eu.

Exagero de pink

Feliz e com as unhas feitas:
"Mi, sabe como se chama esse esmalte?"
"Barbie."

Ok, exagerei no pink.
......

No vidrinho, ao lado de tantas cores, essa tonalidade de rosa me agrada. Só depois das pinceladas é que percebo o exagero do esmalte. Olho para o lado, a "trava" sentada no lavatório escolheu a mesma cor.

Uma dica

Se você gosta do que faz, do lugar em que trabalha e ainda por cima quer ganhar umas horinhas de aula a mais no próximo semestre... evite responder "NO WAY!" antes mesmo de sua cordenadora terminar de te pedir para substituir um professor que vai ter que faltar.

Na cadeira do cabelereiro

"Estou cheia de cabelo branco, se você achar algum pode arrancar, viu?"
"Então, acho que não vai dá pra tirar todos..."

Ahhhhh!

Num acesso de raiva, me livro violentamente da capa protetora de corte que aperta meu pescoço, jogo-a no chão, piso, chuto. Voo em direção ao balcão. Tesoura, escovas, grampos, presilhas vão pelos ares. O secador de cabelo vira uma arma giratória, com ele quebro os espelhos. Arranco os posteres da parede. Viro as cadeiras, uma delas arremesso contra a porta de vidro da entrada. Grito. Grito muito. Abro a carteira. Deixo o valor do corte em dinheiro na mesinha da recepção. Saio em silêncio.

....
Quando a gente se conheceu, eu não tinha cabelos brancos. A visita do tempo é realmente cruel.

No dia seguinte...

"Vomitou,
Cagou,
Melhorou."
          (por Carolzinha)

Eis aí uma grande verdade, dita assim sem querer, que ficará registrada eternamente nas páginas amareladas deste blog.

Coragem, minha gente, coragem

"Em cada problema que me é apresentado, nunca me sinto atraído pelas soluções extremistas. É possível que essa seja a raiz de minha frustração. Uma coisa é evidente: se, por um lado, as atitudes extremistas provocam entusiasmo, arrebatam os outros, são indícios de vigor, por outro, as atitudes equilibradas são geralmente incômodas, às vezes desagradáveis e quase nunca parecem heroicas. Em geral é preciso bastante coragem (um tipo especial de coragem) para manter o equilíbrio, mas não se pode evitar que aos demais isso lhes pareça uma demostração de covardia. Além disso o equilíbrio é maçante. E o equilíbrio é, hoje em dia, uma grande desvantagem que em geral as pessoas não perdoam."
(A trégua, Benedetti)

Domingo no parque

Na ciclovia, o pai pedala na frente, irmão mais novo na cadeirinha, e atrás segue pedalando o mais velho, de uns 7 anos.
"Pai, agora que eu sei andar na minha bike, eu sei como você cansa, cansa, né? Ô pai, agora eu sei andar na minha bike, eu sei que você cansa, pai, porque cansa andar de bike. Pai, pai! Eu gosto de andar de bike. Pai, olha! Pai! Agora que eu sei andar de bike, eu sei que você..."
"Fica quieto e anda!"
O que cansa é ser pai.

Quando nada mais pode dar errado...

Chove. E você descobre que esqueceu o guarda-chuva. Fica ilhada embaixo de um toldo apertado durante minutos infinitos. Seu celular tim pára de funcionar. Você se perde pelo centro da cidade, anda que nem barata tonta. Você é míope e seus óculos molhados atrapalham ainda mais seu senso de localização já naturalmente atrapalhado. E vai ficando cada vez mais ensopada. Finalmente encontra sua irmã no lugar combinado. Pára no banheiro para torcer as meias no cesto de lixo. Ela ri e tira fotos. Você encara tudo com bom humor, e saem para comer alguma coisa. No bar escolhido, que tal uma cerveja e uma porçãozinha? Ótima ideia para começar bem o feriado e se livrar da uruca. Sim, não fossem as baratinhas escondidas entre as frestas da mesa que resolvem dar as caras. Vocês fogem. Entram no primeiro boteco que aparece no caminho. Fazem o pedido e se sentam numa mesa nos fundos. A organização dos músicos anuncia o que está por vir: sambão ao vivo nas alturas. Você, molhada e com frio, agora não escuta mais os próprios pensamentos. Foda-se o regime, você quer uma coca-cola! Respira funda, seu lanche já está vindo. O quê?! Pão de forma já é demais!

As aparências sempre enganam

Eu achei que minha aluninha gringa de cinco anos fosse um mini-adulto. Loira de olhos azuis, inglês perfeito, bem educada e comportada (aquele clichê todo). Foi até ela se pendurar na minhas pernas e começar a se chacoalhar toda enquanto eu conversava com a mãe dela.
Bom, ainda bem que criança é tudo igual.

Experiências de um servidor público II ou como endoidecer antes dos 40

Cada email que recebe, ela imprime e põe na minha mesa. Já falei para reenviar pro meu mail, para não gastar papel. Não adiantou. A diretoria manda por mail para ela e em vez de me repassar, ela imprime e traz até minha mesa.
Pior... tem um servicinho que ela faz que consiste no seguinte: juntar os jornais por data e amarrá-los num pacote com o dia especifico, para tanto, ela embrulha numa folha e escreve a data. O problema é que em vez de pegar uma folha de rascunho, dessas muitas inuteis que ela imprime, ela vai no pacote de folhas novas e pega uma lisinha pra embrulhar jornal!
Outra que ela fez... criei um arquivo, todo tabelado pra colocar os dados e mandei por mail, era só copiar e colar certo? Ela imprimiu o arquivo para digitar tudo novamente na tabela de excel. Aí, veio pedir ajuda, porque estava se perdendo, queria que eu ditasse para ela um por um. Perguntei: porque você não copia e cola? Não precisava imprimir. Ela não entendeu o que eu quis dizer, mostrei na tela do pc. Ctrl c, ctrl v... é fácil. Ela ficou com uma cara de dúvida, então o que eu fiz? Peguei a porra pra fazer!
(por Capelo)

A vida é cômica

Sempre joguei no time do hamburguer com batata-frita. Maionese, fritura e coca-cola, tem coisa melhor? Este ano, por alguma razão oculta, prometi ser diferente... abandonar a tão querida junk food e fazer refeições mais saudáveis. Tomate, rúcula, alface e pimentão passaram a fazer parte do cardápio.
Duas semanas depois, o resultado: uma câimbra fodida no meio da rua.
Tive que colocar em prática todo o auto-controle que possuo para não jogar longe a bolsa e sacolas que carregava e começar a rolar de dor na calçada.
A vida é cômica.

Você percebe que perdeu o frescor juvenil quando...

1 - o mendigo, na maior das inocências, vira e te diz: "Tem uma moedinha, TIA?"
2 - o manobrista quer entrar com o carro na garagem, é educado, e primeiro te oferece passagem: "Pode passar, SENHORA."
Preferia ter sido atropelada, mas obrigada.

Me mira


Tá tudo padronizado no nosso coração.
Nosso jeito de amar, pelo jeito, não é nosso não.

(Buhr Buhr Buhr)

Experiências de um servidor público

a senhorinha aqui do trampo precisava apagar uma linha no excel.
me pediu ajuda.
falei para ela "aperta com o direito"
ela começou a apertar o esquerdo.
"não, não.. o direito, aqui óh"

aí ela se atrapalhou.
o mouse foi se encaminhando para o precipício da mesa.

eu segurei.
coloquei o mouse no lugar certo, na mesa e na tela do CPU.
ela apertou o direito.
eu disse "pronto, só excluir agora"

aí ela continuou apertando com o direito.
e o mouse foi saindo do lugar de novo, da tela e da mesa.
eu segurei de novo.
"posso?"
foi quando percebi que ela tava olhando pra janela, não a janela do windows, a janela da sala.
ou seja, ela começou a apertar de qualquer jeito, olhando para a janela errada,
para a janela do Ramos de Azevedo, não a do Bill Gates.
exclui a linha.
ela voltou ao trabalho.
acho.

(por Capelo)
Deslocou o ombro fazendo um exame de proficiência. Não, não tinha nada de artes marciais. Era prova de inglês.

outro susto

Fui pega de surpresa no meio da noite, compartilho aqui o meu susto.

ele: fiz uma coisa que vai me torturar pro resto do mês.
eu:  ai, meu deus
ele:  hihi
eu:  o q vc fez?
ele:  raspei os peitinhos.
eu:  poutz!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ok, depois ele explicou que tudo era para o teste ergométrico que faria na manhã seguinte. Ufa, está perdoado.

Tal pai, tal filha

Era um desses dias que parecem não ter fim. Chegamos exautos, quase meia-noite. Jantamos qualquer coisa da geladeira e foi difícil desligar o filme bobinho que passava na TV. Nos arrastamos para cama. Na manhã seguinte, escuto a minha mãe: "Sabia que seu pai não tomou banho ontem?!"
Somos dois, penso comigo.