Cardiff

Viajar eh muito bom! Aproveitei o final de semana para conhecer Cardiff, a capital do Pais de Gales, com uma galerinha para la de animada. Fomos em sete, todos brasileiros que trabalharam comigo no Buffet.

Antes de qualquer coisa, uma observacaozinha: eh incrivel como esse mundo eh pequeno! Conheci aqui em Londres, sem saber, o Vinicius e a Carol, casal de namorados amigos de faculdade da Bea e da Sueme.

A cidade eh uma gracinha, bem organizada, cercada de castelos de tudo quanto eh tipo. Eu nao sabia mas Wales e o lugar que reune a maior concetracao de castelos do mundo. Bom, e eu como toda garotinha romantica, que sonhava encontrar o principe encantado, adorei visita-los.

O museu de Cardiff tambem vale o passeio, pude ver 'The Kiss' de Rodin, que me arrancou suspiros e mais suspiros, e 'Eternal Spring', que so o titulo ja arrepia, ne? Gostei muito do 'The Shooting Star', de Millet, achei lindo... aiai. Pois eh, adoraria colocar aqui as fotos que tirei, mas para poder fotografar, tive que assinar um formulario me comprometendo a nao divulgar nada na internet (chato...)

As fotos ai embaixo sao da Ruth, eu roubei todas do orkut dela, hehe. To tendo um certo probleminha com as minhas, esqueci o cabo da maquina em SP e nesse final de semana as pilhas me deixaram na mao. =P

Cardiff Castle


Docas

Coch Castle: castelo de conto de fadas
Nao encontrei nem sapo, muito menos principe!

Humor ingles

Trabalhar em Londres nao eh facil. A gente sai do Brasil no maior oba-oba, achando que da para fazer qualquer coisa, que para tudo da-se um jeito, ai chega aqui e descobre que nada eh tao simples assim. Pegar no batente na terra da rainha nao eh mole, nao!

No meu caso, depois de varias tentativas fracassadas (e bem frustrantes) de arrumar um emprego, comecei a fazer um bico divertido. Estou trabalhando como 'catering' de um buffet judeu. Nao tem nada fixo, eh uma brasileira que coordena os eventos e liga quando surge algum trabalhinho.

O primeiro que participei foi o aniversario de um menininho de oito anos, nao sabia, mas essa eh uma data importante para eles, trata-se passagem da infancia para a vida adulta.
Festa com decoracao do Batmam? Homem-Aranha? Harry Poter? Que nada! O salao parecia preparado para receber os formando de algum curso de farmacia (ou um casamento gay, talvez). Tudo preto, toalhas de mesa e cadeiras, o que ressaltava os arranjos fluorescentes do salao. Mamae e papai estavam orgulhosos. Todos os grandes acontecimentos dos poucos anos de vida do garoto foram lembrados em discursos que interrompiam a agitacao da pista de danca.

O segundo foi mais legal, um casamento. Ai, ai, sempre me emociono em casamentos, mesmo quando nao faco ideia de quem sao os noivos! =P
Fiquei imaginando como seria a tao esperada festa do casorio da Fernandinha. Ela entrando de branco, toda chiquetoza, numa capela aconchegante, armada bem longe do barulho da cidade, rodeada de verde, o Jean roendo as unhas de nervosismo, e as irmas Araujos e eu nos debulhando em lagrimas na frente do altar... (que lindo!)

Mas voltando ao assunto, o que me chamou a atencao nesse casamento foi o discurso do 'best man'. O cara comecou bem, contando as aventuras de Jack antes de conhecer a futura mae de seus filhos - a Emily -, e depois de como ela mudou a vida do rapaz e, no final, ergueu a taca e sugeriu um brinde: 'Agora vamos nos levantar e brindar ao noivos. Nao, nao! Vamos brindar a rainha! Um brinde a rainha!' E todos nos salao o seguiram: 'A rainha! A rainha!'

Poxa, uma piada inglesa para animar a noite, pensei comigo. Mas foi ai que a banda comecou a tocar o 'God Save The Queen', e para minha surpresa todos os convidados se alinharam e cantaram juntos o hino da Inglaterra inteiro! Nao acreditei. Que isso? No meio do casamento?
Pois eh, acho que nunca vou entender o humor ingles.

Geladeira

Pauline, minha mae londrina, estava super empolgada esses dias porque ia trocar sua geladeira, a porta da velha tinha caido e essa foi a desculpa para comprar uma novinha em folha, das mais modernosas disponiveis no mercado. Bom, como as ferias ja acabaram por aqui e Pauline voltou a trabalhar, ela nao teria como ficar em casa para receber a geladeira, me pediu para que a ajudasse.
E la fui eu na tarde de terca-feira esperar a geladeria.

Duas horas assistindo 'House' e a campanhia toca. Eram os caras da entrega, e vejam so! Dois brasileiros! Daniel, o mais velho, mora aqui ha mais de oito anos, eh casado e tem uma filhinha de tres anos que nasceu desse lado do oceano, segundo ele, a menininha fala um ingles perfeito. Ronaldo cresceu em Aracatuba, cidade do interior paulista pertinho da minha, chegou tem um ano e meio e disse que nao volta mais para o Brasil, nao. Gosta daqui, tem passaporte italiano e vai ficar ate cansar.

'Ihh', foi a primeira coisa que Daniel disse ao ver o tamanho da porta e corredor que teria que passar com a imensa e pesada caixa de papelao. 'Nao tem outra entrada, nao? Essa eh muito estreita, nao vai dar!'. Ihh, nao tem, nao. As casas aqui sao todas assim, apertadinhas.

'Voces nao estao preparados para receber uma geladeira americana', concluiu Daniel de maneira seca. E o pior eh que ele tem razao, os padroes britanicos nunca irao comportar o 'american way of live', eh impossivel.
Pauline agora esta sem geladeira.

Cerejas

Resolvi aproveitar o sabado para voltar para Notting Hill, queria conferir o Portobello Market, uma especie de feira ao ar livre que so acontece uma vez por semana. Nao preciso falar tudo de novo, ne? Esse foi o bairro que mais me impressionou em Londres e ele fica ainda mais gostoso com o mercado.

No comeco, varias barrinhas de souvenir, roupas, bugigangas e, mais para o fundo, as frutas e verduras. Logo de cara as cerejas acenaram para mim. Humm... estavam todas esparramadas no balcao, ao lado dos figos e pessegos. Comprei um saquinho bem servido e comecei a devora-las ali mesmo, sem pensar duas vezes. E que delicia! Cerejas madurinhas, carnudas e saborosas.

Voltei para casa toda pimpona, me lambuzando com elas no metro. Ao chegar, ofereci algumas para o Guilherme (cuidado nao confundam de Guilherme, esse eh o Gui de Porto Alegre, bah, que mora comigo e nao o Gui mineirinho).

"Nossa, mas que doce, nem parece cereja!" comentou.
Eu concordei balancando a cabeca com sorriso.
"Mas voce sabe que aqui eh tudo geneticamente modificado, ne?"
Han?

E foi-se a minha alegria.

Metro

Por que as taxas de suicidio sao tao altas no metro de Londres?
Olha como sao as plataformas. Acho que as pessoas morrem sem querer.

Notting Hill Carnival

Foram dois dias de muita festa no bairro Notting Hill, na zona oeste de Londres. Bom, eu sou suspeita para falar, adoro baguncar na rua, com boa musica, de graca, onde todos sao bem-vindos e eh so chegar chegando. Nao esperava encontrar alguma coisa assim em Londres, uma festa movida a ritmo caribenho, que celebrasse as diferencas. Fiquei surpresa quando descobri que o carnaval ja eh tradicao, acontece ha mais de 40 anos.

Nao sei como explica-lo, foi mais do que um festival a ceu aberto, acho que foi uma especie de virada cultural com 'parada' - aqueles desfiles de blocos e carros de som. Nunca vi tanta gente nas ruas, era dificil andar entre a multidao, mas nao fiquei incomodada. Uma das coisa que notei eh que aqui, mesmo nos lugares mais apertados, as pessoas se respeitam muito, ninguem aproveita para tirar uma casquinha, so ficam na vontade mesmo.

E no final teve ate um comeco de quebra-quebra para dar aquela animada. As pessoas comecaram a correr de um lado para outro, vi umas garrafas e latinhas voando, mas nao me preocupei, acho que ainda estava sobre o efeito do vinho de dois pounds e meio que havia tomado. A policia tambem estava em todo o lugar, o que colaborou para a sensacao de seguranca.

Foi tudo muito bom, pena que carnaval eh so uma vez por ano.

Viva la revolucion!

Roda de capoeira no meio da multidao