Passeava pelos museus munida de caderninho e caneta. A ideia era registrar tudo que me chamasse a atenção: obra, autor, ano, estilo... Como se o esforço fosse me garantir mais espaço na memória. Quanta inocência...
Esses dias, lembrei de uma vídeo instalação que vi no Tate Modern. Uma obra marcante mesmo, muito forte, talvez a que mais tenha mexido comigo em meio a tantos picassos, mondrians e dalís. Revirei as gavetas e os cadernos atrás das anotações, tenho certeza que deixei marcado em algum lugar mais informações do vídeo, algo que me facilitasse a busca no google. Queria rever o trabalho com mais calma e com outros olhos, ler o que se falou a respeito... Não achei coisa alguma. E agora? Só me resta a péssima memória, em quem já sei que não posso confiar. Devia, primeiro, ter pensado em soluções para a falta de ordem.
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Um homem e uma mulher, numa sala de estar, nus, em silêncio, arremessam, repetidas vezes, um para o outro, uma grande bola de plástico, dessas que a gente ganha no parque de diversão. Na cena seguinte, ela aparece sentada no sofá, mas a ação é sempre a mesma: receber e devolver a bola de plástico. O vídeo é preto e branco, mas eu tenho para mim que a bola era azul.
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Um homem e uma mulher, numa sala de estar, nus, em silêncio, arremessam, repetidas vezes, um para o outro, uma grande bola de plástico, dessas que a gente ganha no parque de diversão. Na cena seguinte, ela aparece sentada no sofá, mas a ação é sempre a mesma: receber e devolver a bola de plástico. O vídeo é preto e branco, mas eu tenho para mim que a bola era azul.
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