Mostra?

Mostro muito.
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Eu já sabia. No momento em que passei a caneta no título do filme que estava prestes a começar, lembrei: "Não, Gabriela, está errado! Você nunca pode marcar o filme como visto no guia sem efetivamente tê-lo visto. Vai dar merda. É como gritar gol com o time no ataque, o gol não sai!"
Não deu outra. Depois de 30 minutos de espera, nem sinal da sessão começar. Já passava das 11, desisti. Maldita projeção digital!

Molloy

"Mas eis que de repente surgiu diante de mim uma mulher grande e gorda vestida de negro, ou melhor, de malva. Ainda hoje me pergunto se não era a assistente social. Me estendeu uma tigela cheia de um suco cinzento que devia ser chá verde com sacarina e leite em pó, num pires desemparelhado. E não era só isso, pois entre a tigela e o pires se equilibrava precariamente um grande pedaço de pão seco, que me fez começar a dizer, com uma espécie de angústia, Vai cair, vai cair, como se isso tivesse importância que caísse ou não. Um momento depois eu mesmo já segurava, nas mão trêmula, esse pequeno ajuntamento de objetos heterogêneos e oscilantes, em que se avizinhavam o duro, o líquido e o mole, e sem entender como a transferência se efetuara. Vou lhes dizer uma coisa, quando as assistentes socias oferecem algo para você não ter um passatempo, de graça, o que para elas é uma obsessão, não adianta recusar, elas o perseguirão até os confins da terra. (...) Não, contra o gesto caridoso não há defesa, que eu saiba." (p. 44)

O cúmulo da preguiça

Morando onde atualmente moro em Sp, o cúmulo da preguiça é fazer compras online na Livraria Cultura e solicitar a entrega em casa. Mas calma que o frete é grátis!
Eu devia parar e pensar no aumento de poluição que essa comodidade gera... só que não.

A gente cresce...

Roba-monte, tapa e porco eram os meus jogos de cartas preferidos. Lembro de me divertir horrores brincando com meus irmãos e primos enquanto a Batian fazia o jantar. 
No último feriado, jogar porco só foi engraçado quando o Adri abaixou o grupinho de cartas errado, com o coringa no meio da quadra. (Acho que a infância dele não teve baralho.)
Mas quando foi que essas coisas perderam a graça?
Ainda bem que perdi meu tamagotchi na escola.

Vota logo e não enche o saco

Passei o domingo escutando "meus pêsames" e coisas do gênero. Ok, eu entendo, todo mundo sabe que trabalhar pela democracia está longe de ser divertido. Mas até aí, mesário nehum precisa ser lembrado disso.
Depois da experiência prática, pensei em fundar o movimento "TRABALHO DE MESÁRIO TEM QUE SER ASSALARIADO". Pronto, bastaria para chover gente querendo ganhar um extra. Duvido que encontraríamos voluntários de cara amarrada, ou dondocas contando vantagem por ter o dia livre pela frente. 
Não é possível pagar por tantos funcionários? Então, crio o movimento "PARA VOTAR NÃO PRECISA FALAR". Entre, vote e saia calado. É uma ótima ideia para evitar as brincadeiras inoportunas mas, por outro lado, acabaria com a nossa diversão: de que observações e perguntas bestas iríamos rir?
Sim, vou trabalhar no segundo turno e não me sinto feliz.
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No Jardins, as patis e vovós endinheiradas não mediram esforços para nos entreter:

- Votei no prefeito, e agora? como voto no vereador?
- Ixi, o Sidney vai ficar sem um voto.
- Ai, anotei o número errado!
- Não dá para votar pelo nome?
- Qual o número do Serra? (Aqui o auto-controle foi tudo)
- É vereador primeiro mesmo?
- Como eu anulo?
- Não tá aparecendo foto nenhuma.
- Precisa de documento com foto?!!

Beleza não põe mesa

Quando almoço no quilo, não resisto aos encantos da coisinha verde mais fofa que a "evolução" das espécies resultou: couve de bruxelas. Que miniatura de vegetal mais linda! É impossível passar por elas e não me servir de algumas.
Mas depois, na hora em que dou a primeira mordida, logo lembro: gente, eu não gosto de couve de bruxelas!

A berinjela nunca me decepciona.

p. 328

"Quando Julien Sorel, poucas horas antes de ser guilhotinado, tenta dominar seu medo e impor silêncio à sua emoção pensando sem trégua sobre sua vida e morte, profere estas palavras de uma profundidade sublime: 'Os homens de salão nunca se levantarão pela manhã com esse pungente pensamento: Como irei almoçar?'. E Stendhal, poucas linhas adiante, atribui-lhe este comentário: 'Não existe nenhum direito natural. [...] Só existe direito quando existe uma lei proibindo que se faça algo, sob pena de punição. Antes da lei, de natural só existe a força do leão, ou a necessidade do ser que sente fome, sente frio, em uma palavra a necessidade...'" (Lanzmann, A lebre da Patagônia)
(o grifo é de Stendhal)