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"Quando Julien Sorel, poucas horas antes de ser guilhotinado, tenta dominar seu medo e impor silêncio à sua emoção pensando sem trégua sobre sua vida e morte, profere estas palavras de uma profundidade sublime: 'Os homens de salão nunca se levantarão pela manhã com esse pungente pensamento: Como irei almoçar?'. E Stendhal, poucas linhas adiante, atribui-lhe este comentário: 'Não existe nenhum direito natural. [...] Só existe direito quando existe uma lei proibindo que se faça algo, sob pena de punição. Antes da lei, de natural só existe a força do leão, ou a necessidade do ser que sente fome, sente frio, em uma palavra a necessidade...'" (Lanzmann, A lebre da Patagônia)
(o grifo é de Stendhal)

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