Homens e a capacidade de impressioná-los

Estava lá eu esperando o ônibus para voltar para casa, perto da marginal Pinheiros, onde estranhamente tudo pára de funcionar bem cedo, o metrô às 9 e o último carro que sobe direto para a Paulista, às 22h20.
Um breu, um sono, puxei assunto com o fiscal de linha que escutava o jogo pelo rádio.
- E aí, o Palmeiras está ganhando?
- 2 a 1.
- Opa, está ganhando mas não classifica, hein?
- Ah, você é entendida!
- Precisava de três.
- Olha só, você é entendida! Parabéns.

Como é fácil impressioná-los.
Pensei em responder "não, moço, não é nada disso, é que meu namorado é palmeirense roxo e está agora no Pacaembu", mas não quis desapontá-lo.

Linha Amarela

E em meio a correria maluca do dia-a-dia, quem diria que mais um esporte seria criado em benefício à saúde dos paulistanos? Trata-se da corrida de obstáculos móveis, que já virou febre na nova estação Paulista, do metrô amarelo. As regras são simples: desça, de preferência bem atrasado, na plataforma verde da Consolação e tente alcançar a amarela no menor intervalo de tempo possível, o caminho inverso também é válido. O circuito envolve esteiras rolantes, ultrapassagem em velocidade de idosos e crianças de colo, curvas sinuosas e escadas rolantes fora de funcionamento. Por enquanto, a prática só acontece de segunda a sexta, especialmente nos horários de pico, ainda não se tem previsão de quando as pistas serão liberadas definitivamente. Para aumentar a adrenalina, experimente dar a largada faltando poucos minutos para o fechamento da estação.

Esses dias, apostei corrida com uma provável estagiária de ADM, estávamos ambas de sapatilhas, disputa justa. Ganhei. Mas embarcamos no mesmo trem.

Conversas comigo mesma

Rebeldia:

- Calma, Gabriela, eu sei que você está atrasada e morrendo de fome, mas se continuar puxando o plástico desse jeito, o pão de mel vai cair.
- Se cair, eu como assim mesmo!

Coisas da gemelidade

Outro dia na faculdade, durante a aula de psicologia da educação, uma menina parou na minha frente, curvou-se e, sem nenhuma inibição, me tascou um beijo na bochecha. O carinha do meu lado, parceiro para a discussão do texto, ficou mais sem graça do que eu.

Bom, acho que não é qualquer um que tem o privilégio de receber carinho de totais desconhecidos.

Amor de Carnaval

E abaixo, seguem os singelos versos de João Mauro, o monstro sagrado da poesia mobral.
Ps. a publicação foi autorizada pelo autor! =P

O carnaval foi bonito
Uma festa de muita cor
Meus 10 anos em Olinda
Trouxeram-me um novo amor.

Na abertura da folia

Eu logo percebi
Encontrei o que queria
Quando a Lívia conheci.

Na noite de terça-feira

Confirmei minha impressão
A quarta que era "De cinzas"
Ficou azul desde então.

Ela é de Maceió,
Mas mora no estrangeiro,
Disse ontem que fui dela
O seu primeiro brasileiro.

Me sinto muito encantado,

Pois trouxe lembranças boas
Tenho o coração mergulhado
Nas águas das Alagoas.

Mas não pude mais revê-la
Agora a tristeza é quem ganha
Sabendo que hoje à noite
Ela volta pra Alemanha.

A saudade é muito dura

Quem sentiu sabe o que custa
Ela lá no exterior,
Eu tomando na Augusta.

Mas pra tudo há uma saída
Saber ou explicação
Já lhe cantaram "estúpido"
Acho que não sem razão
Depois de aprontar comigo
Digo CUPIDO CUZÃO!


(JMonstro, o divórcio da razão)

um susto

Aprendi com Eduardo Rascov a escolher a próxima leitura. Funciona assim: se você está numa livraria um tanto perdido, sem saber direito o que procura, pegue um livro aleatório, leia o primeiro parágrafo, se te agradar, leve; caso contrário, vá para o próximo.

Chegaram ontem os livros que a Mila comprou na promoção da livraria Cultura. Pego um Beckett para dar uma folheada. Primeiro Amor, edição linda da Cosac. Na primeira página só uma frase em negrito, bem no limite da folha: Associo, com ou sem razão, o meu casamento à morte. Não me controlo, grito: Ahh, Mila! Você viu como ele abre esse livro?! Ela responde do quarto, "Calma, continua na outra página."... do meu pai, em outros tempos. Ufa.
Beckett fez meu coração parar na primeira linha.