Que venha 2012!

Que listinha de metas que nada! No último dia do ano, não vou perder tempo com promessas para (não) cumprir em 2012! Tsc tsc tsc.

Estou é aqui matutando em como irei torrar os 170 milhões da mega-sena da virada! Uhuu!
Que venha 2012!
.....

Aprendi a escrever réveillon. RÉVEILLON.

Mila e suas conclusões lógicas

Aiii! A gaveta do criado mudo caiu bem no meu dedão!
Mila: "Não deve ter doído tanto assim, você não gritou tão alto."
Nossa, eu jamais pensaria em um método de avaliação da dor alheia tão eficaz.

Saindo do Gopala, aquele restaurante indiano e vegetariano da Antônio Carlos:
"Essa comida não deve ser tão saudável, cheia de óleo... Você viu? Todas as funcionárias são gordinhas! Até a dona é gordinha!"
(...)

Coisas da gemelidade 3

Tenho cabelos brancos que crescem para o mundo, como diz a amiga Rafaela. Contei três da última vez. Três fios que sempre aparecem para dizer um "oi" pelo espelho do elevador, geralmente de manhã, quando estou atrasada, saindo para o trabalho. Nem preciso comentar da alegria que sinto ao encontrá-los... (arght!) já começo o dia de mau com a vida.
Fico com medo de arrancá-los, essa é a verdade. E se aquele ditado for real? E se no lugar de cada um deles surgirem mais três? Tipo progressão geométrica mesmo. Tremo só de pensar. Melhor evitar brincar com forças obscuras. Sofro.

Eu tenho cabelos brancos e a Mila não.

Natal

Meu vestido natalino está apertado.
Das duas uma: ou paro de beber cerveja, ou paro de respirar.

Francesas sem sutiã

As francesas não usam sutiã. Foi a conclusão que cheguei depois de uma hora e quarenta no cinema. Filme bobinho, personagens sem graça, história morna, a única coisa que me chamou a atenção foi a total ausência da peça íntima feminina.
Queria ser francesa, principalmente no verão.

Férias


Quero tempo para ler o livro que ganhei de aniversário, nada mais.

Chanel nº5

Estávamos passeando no shopping. Vontade de gastar dinheiro mas sem encontrar nada de muito atrativo nas vitrines. Eis que, Mila me olha com cara de sapeca: "vamos escolher nosso perfurme!" e corre para dentro da loja de fragrâncias importadas. A ideia não era comprar nada, claro, é que daqui a alguns dias Mila embarca para mais um congresso em Buenos Aires e aí, na volta, pretende se divertir no Duty Free.
Topei, lógico. E ficamos lá,  borrifando perfumes diferentes, misturando tudo, confundindo tudo, até que... suspense... por entre os vidrinhos coloridos surge a cobiçada prateleira dos Chanel. 
Chanel nº5, o "pijama" de Marilyn Monroe, o cheiro da mulher moderna engarrafado! Pegamos delicadamente a embalagem quadrada e salpicamos o líguido relusente na tira de papel...
Blaght! Que horror! Ainda bem que os tempos mudaram!

Rir ou chorar?

Ele olha para minha barriga e diz:
- Nossa senhora, hein?
Poxa, já to me achando gorda e você ainda fala assim? Pára de me pôr para baixo!
- Beibe, não sou eu que te ponho para baixo, é a gravidade.

Press the red button

Final de ano

Como sempre, vontade imensa de fechar os olhos e acordar carnaval.

Peixinho Beijoqueiro


Era um legítimo beijoqueiro, meio laranja, amarelado e, dependendo da luz, dourado. Um ótimo animal de estimação, não sujava o tapete, nem chorava por comida; não tinha medo do escuro, nem precisava passear lá fora. Colaborava com a decoração da casa, ornando com o abajur marfim posto ao lado do aquário. Como se não bastasse, distribuía beijos independente de cor, credo ou casaca de futebol. Era beijo pra toda obra! Perfeito, não fosse sua tendência suicida.

Sim, sofria de depressão. Fruto da precoce separação da família? Não sei, o caso é que pulava fora do aquário sempre que a sala esvaziava. Na primeira tentativa, foi salvo por uma esbaforida faxineira, que viera correndo atender o telefone. Na segunda vez, confundiu-se, não percebeu que na sala ainda havia alguém mais, escondido atrás do jornal. Na terceira, assustou as crianças que chegavam da escola. Na última... sucesso!

Seu corpo foi encontrado duro e sem vida, numa pocinha d'água fria.

Já tentaram óleo de peroba, lustra-móveis, cera, vaselina.. nada apaga a amarga marca desbotada, carimbada no assoalho de madeira.
(memórias capelianas)

O Palhaço

Atenção: SPOILER! Se vc ainda não viu O Palhaço, de Selton Mello, é melhor parar por aqui. 
....
Não tem jeito, peço licença desde já, mas tenho que aproveitar este espaço para registrar minha indignação.
Fui com a maior das boas intenções assistir o novo filme de Selton Melo, O Palhaço. A crítica, pelo pouco que tinha lido, parecia bem receptiva, elogiando as cores, o clima nostálgico, as atuações e tudo o mais. E é verdade, tudo ia perfeitamente bem, dentro dos conformes, até que o discurso central da história deu as caras... e ai, salve-se quem puder!
"O gato bebe leite. O rato come queijo. Eu sou palhaço." diz o Palhaço Valdemar (Paulo José) na tentativa de convencer seu filho a continuar no circo.
Sim, o pai é palhaço, o filho é palhaço, você é cortador de cana e aquele ali é o prefeito, tudo como deve ser!
Assustador, não? Mas é bem isso que o filme prega. Se você nasceu para palhaço, meu querido, contente-se em fazer os outros rirem.
Arght! Quase cai da cadeira. E o pior é que nada acontece, o final só serve para reiterar esse discurso barato. Todo o conflito criado vai morro abaixo, o palhaço triste e desajustado com a vida no circo, retorna ao lar com uma certeza, a de que é mesmo palhaço. Deprimente.

Sono e cinema

Foi também com o Rash que aprendi a dormir no cinema. Sim, antes eu era tola e inocente, sempre lutava contra a necessidade biológica que é cerrar as pálpebras e dormir. Tinha que me manter acordada até o fim, mesmo naquelas sessões mais chatas e sem sentido. Me contorcia na poltrona, evitava até piscar, mas desligar não era uma opção. Perdi algumas batalhas, é verdade, mas não sem remorso.
Até o dia em que comecei a ver filmes com Rash. E não dava outra, toda vez que olhava para o lado, lá estava Rash tirando o seu cochilo no escurinho do cinema. "Para que brigar deste jeito com seu corpo? Relaxe, depois de meia hora de sono, vai ver como o filme se torna agradável", dizia ele. Eu, como uma boa discípula, segui seu conselho. Hoje durmo no cinema sem dificuldades. Tem sessões que entro só para tirar aquele soninho gostoso, fugir do barulho da cidade e despertar feliz. Dormir no cine virou um prazer.

Durante esta última mostra de cinema, assisti o pior filme de toda minha vida. Verdade, não é exagero! Geralmente não me preocupo muito com isso, pois na maioria das vezes durmo e pronto. Desta vez não, o filme era tão horrível que nem a trilha sonora se salvava! Era uma mistura pop techno dançante de arrancar os cabelos fio a fio. Sério, foram os 80 minutos mais longos de minha existência. Mas já aprendi, da próxima vez carrego tampões auriculares.

Desmemória

Eu lia Herberto Helder e lembrava de você.

Hoje não lembro mais. Em qual página te perdi?

Decadence

                               avec
                                          elegance.

Ando tão à flor da pele...

Que ando tirando satisfações até com velhinha dentro de ônibus.

Os últimos acontecimentos têm tornado amargo o meu fim de mês.
Sou uma esponja, não há distinção entre o meio e meu coração.

E não adianta, você nunca vai entender o que significa estar sob o controle dos hormônios.

(Minha mochila está cada vez mais pesada.)

Pergunta

Será que sou eu a louca? (ou o mundo é que é normal demais?)

....

Segundo a previsão, o mês será foda. Apertem os cintos.

....

Mesmo com a certeza de que não terei tempo para ler nada durante minha jornada diária, levo nas costas vários textos de leitura já atrasada. A mochila fica pesada, porém tenho a impressão de que a consciência fica mais leve.

Quadrilha

João seguia Teresa que cutucava Raimundo
que curtia Maria que compartilhava Joaquim que bloqueava Lili
que não adicionava ninguém.
João largou de ser nerd, Teresa virou budista,
Raimundo morreu na mão, Maria foi pra Catalunya...
Joaquim cutucou de volta e Lili firmou “relacionamento sério” com J. Pinto Fernandes
que nunca tinha entrado sequer no velho Orkut.
(Homenagem a Drummond, por Xico Sá)

Justiça seja feita

Dois dias depois de enviado o email abaixo para a ouvidoria da ViaQuatro, eis que uma Regina me liga:
"Boa tarde, senhora Gabriela, eu sou Regina Barros da ouvidoria, recebemos seu email sobre um grave incidente na estação Faria Lima."
Logo pensei, nussa e não é que me ligaram mesmo!
"Peço desculpa desde já, realmente não é desta maneira que um funcionário da segurança deveria se portar, o caso é gravíssimo... (mais desculpas e explicações sintéticas de como a contratação e treinamento dos funcionários são feitos) estamos tomando as devidas providências, já encaminhamos a ocorrência para o  'Departamento de Casos Gravíssimos' (não me lembro para quem exatamente ela disse que enviaria o problema) e, com certeza iremos averiguar e punir os responsável e bibibi. Você não foi a única, recebemos outros dois emails descrevendo o que aconteceu na mesma hora e local... bibibi... esperamos contar com a sua ajuda sempre."
No final, Regina ainda me ofereceu seu telefone direto, disse que podia ligar para tirar dúvidas ou para acompanhar o caso. Desliguei o celular com uma sensação mista de dever cumprido e friozinho na espinha. Justiça seja feita.

A/C ViaQuatro


Boa tarde, 
Meu nome é Gabriela, sou usuária da Linha 4 amarela de metrô, que está sob responsabilidade de vocês, ViaQuatro, Grupo CCR.
Escrevo para relatar um terrível incidente que presenciei e testemunho a seguir:
Ontem, dia 25/10, às 21h20, logo após o bloqueio das catracas da estação Faria Lima, dois homens, visivelmente embriagados, foram impedidos de descer para a plataforma de embarque pelos seguranças do local. O motivo eu não tive conhecimento, mas também, acredito não ser relevante. O caso é que uma grande confusão foi formada. Ao todo, seis seguranças, vestidos de cinza, fortes e musculosos, contratados por sua empresa, cercaram os dois homens que gritavam e tentanvam se defender. O clima era tenso, mas tudo não passava de discussão e ofensas verbais, até o momento em que um dos seguranças, o maior de todos, esqueceu-se totalmente de sua função e posição e passou a agredir fisicamente os homens, desarmados e bêbados. Fiquei horrorizada com a situação, eram chutes e pontapés desferidos por uma pessoa que, no meu entender, deveria prezar pela ordem e segurança do local. Ele estava claramente tentando machucar os dois homens e transformou a estação em um ringue de luta-livre.
Para controlá-lo e impedir que esse sujeito espancasse, ainda mais, os dois homens, seus próprios companheiros de trabalho tiveram de intervir e segurá-lo.
Foi vergonhoso! Acredito que, por mais grave que seja a situação, nunca um funcionário contratado para prezar pela segurança de terceiros pode perder a razão desta maneira. E, mesmo que os dois homens embriagados tenham cometido alguma infração, em hipótese alguma deveriam ser tratados desta maneira. Esta situação eu chamo, sem receio algum, de abuso de autoridade. 
Escrevo, desta maneira, com o intuito de solicitar atenção, para alertá-los sobre a importância do bom treinamento profissional e boa contratação, para que episódios como este não tornem a acontecer e para que possamos usurfruir, sem temor, do transporte público (ainda que privatizado). 

Att,  

Eu queria...

...clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê. E também clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê e mais clichê, clichê, clichê, clichê, clichê, clichê. Enfim, para terminar, queria o maior CLICHÊ do mundo.

Steve Jobs e eu

Tenho o péssimo hábito de dormir com o cabelo molhado. Eu sei, é horrível, mas fazer o quê? Chego tarde em casa e, só de pensar em acordar mais cedo para lavá-lo, me dá um súbito ataque de preguiça. Secador, então? Argh! Só serve para ocasiões extremas, como resfriada durante o inverno. O único problema é que, na manhã seguinte, acordo parecendo a Amy Whinehouse depois de um porre. Uma verdadeira tragédia que só se resolve com elástico.

Hoje de manhã não foi muito diferente, mas levei um mega susto ao me olhar no espelho do banheiro: a parte de trás estava toda levantada e amassada, um horror. Voltei para o quarto e cutuquei o Adri: "Você viu o meu cabelo?". "Vi, ta lindo", respondeu sem tirar os olhos da tela.

Impossível concorrer com Steve Jobs.

Pausa para o café

É a merecida recompensa depois de algumas horas de concentração em um trabalho chato, cansativo ou desgastante. É a injeção de ânimo que te faz levantar a cabeça, seguir em frente, terminar o dia. Café é momento de prazer, pode ser entre as sessões de filmes da mostra, depois do almoço, com o jornal na mão e, quando vem acompanhado de uma boa conversa entre amigos, é melhor ainda. Enfim, café =  felicidade.

"Vou fazer café, você quer?" Grita minha irmã da cozinha. Meu corpo todo estremece, um alarme é acionado automaticamente no interior do meu cérebro, todas as associações descritas acima caem no buraco negro do esquecimento. "Béin! Béin! Perigo! O café da Mila é o pior café do mundo!! Béin! Béin!"
"Sim", respondo me contorcendo na cadeira. "Quer fazer?", ela retruca de maneira desafiadora. Silêncio. Palavras me faltam. Quem sabe desta vez não dá certo.

Cabelo e bonecas

Quando era pequena, mamãe nunca me deixava cortar os cabelos das bonecas. Ela dizia que aquilo não era de verdade e, seu eu cortasse, ficaria tudo espetado e feio. Eu obedecia, mas morria de vontade. Olhava com atenção as madeixas loiras da Barbie e imaginava como ficaria com uma franja curtinha, um repicado nas pontas, ou um chanelzinho retrô.

Hoje, me diverto com a tesoura e os cachos do Adri.

Pedrinhas

Como uma pedrinha, tão mínima assim, quando aparece no lugar errado, pode fazer tanto estrago?

Castigo

Foi só dar uma abusadinha de nada, tomar um ventinho mais gelado nas costas e pronto! Já está feito o estrago. Tosse, moleza, nariz escorrendo, dor no corpo... só pode ser castigo, viu? Castigo por ter passado uns 15 minutos, pelo menos, rindo do tombo do gordinho xavequeiro na balada.

Ou seria a Vida me dando uma tapa na cara, me trazendo de volta à realidade: "toma tento, menina, você agora está bem mais perto dos trinta que dos vinte!"

O troféu "vergonha alheia" definitivamente é meu.

Troféu Vergonha Alheia Total

Depois do ótimo show do Primal Scream, por que não uma esticadinha na balada? Uma das opções era o Alley, que receberia o baixista da banda para discotecar. Ok, afinal somos jovens! =P
O "Mani" mandou bem, escolheu boas músicas e divertiu a galera. Pena que sua presença foi ofuscada pelas incríveis performances dos BÊBADOS da balada. Loucos, solitários ou entre amigos, foram muitos os concorrentes ao troféu "vergonha alheia total"! Vamos logo aos melhores colocados:

5- Loira "cotovelos que limpam balcão": Filha de coxinha, com cabelos a la Gisele Bundchen, estava tão breaca que, nem com os cotovelos apoiados no balcão, conseguia parar de balançar. O pessoal da limpeza agradece.
4- Maluco dos dreads: Fã do Sepultura, entrou por engano na balada, o jeito foi se divertir. Mesmo com o som das Spice Girls rolando, o cara não parou de sacudir a cabeleira. Uma menina tomou um "dreadlocada" no olho e foi encaminhada à enfermaria. Maluco foi visto pela última vez vomitando na lixeira próxima a saída.
3- Gordinho xavequeiro. Cara de beibe, mas afirmando já ter lá seus 26 anos. Chegou junto em todas as garotas desacompanhadas da noite, sempre com um copo de bebida em mãos. Voltou para casa sem pegar nem resfriado.
2- Louca do banheiro. Bebeu tanto que perdeu a capacidade de ir sozinha ao banheiro. O triste foi, que nessa hora, as amigas todas sumiram. A garota foi auxiliada pelas tias da limpeza, que fizeram o que conseguiram: colocaram-a sentada na privada mas não foi possível evitar que fizesse xixi na própria roupa.
1- Folgada da pista. Dançava alucinadamente empurrando o parceiro que queria se aproveitar de seu corpitcho. Eram braços, bundas, pernas e cabelos para tudo que é lado, até que a panelinha de meninas-moças de um metro e meio de altura ao lado se enfezou, e partiram para a agressão. Pronto a confusão estava armada! Não fosse o Capelo Bom-coração colocar panos quentes na situação: "Ela tá bêbada gente, pra que empurrar?" Bom, quase sobrou para ele também, que virou alvo de ofensas. Eu vi tudo de longe, torcendo para que "bêubada" levasse uns safanões, desculpa, mas gente que bebe e folga desse jeito deve voltar para casa com uns roxinhos, não?
Mas o que veio a seguir foi digno de medalha de ouro olímpica em causação e, por isso, é dela, sem sombra de dúvida, o primeiríssimo lugar! Folgada não se abateu com o início de confusão e continuou mandando ver na pista.  Até que, num rodopio mais elaborado, a mulher se jogou para trás com tanta fúria, que perde completamente o equilíbrio levando para o chão o bailarino que a acompanhava e o gordinho xavequeiro, que coitado, não tinha nada a ver com a história!
Quem nunca caiu e derrubou dois na balada que atire a primeira pedra!
Foi hilário. Até que ponto chega a degradação humana... Depois dessa experiência, pretendo passar um bom tempo afastada da noite paulistana, é muita loucura de uma vez só. (Acho que não somos mais tão jovens assim.)

Béla Tarr e o fotógrafo desinformado

Em paralelo a Mostra de Cinema Indie, acontece também no Cinesesc, por esses dias, um festival laranjinha de curtas, promovido pela Secretaria de Direitos Humanos da cidade. "Entretodos" é o nome do evento e, só fiquei sabendo de sua existência, quando cheguei no Cinesesc para pegar uma das sessões do Indie.
Camisetas laranjas se espalhavam pelo espaço, distribuindo a programação e convidando os cinéfilos a subirem até o auditório para participarem dos debates e exibições. Até aí nada demais, né? Sim, se não fosse o fotógrafo desinformado... Isso mesmo, fotógrafo laranja sem noção que aguardava o fim das sessões da mostra Indie para bater foto das pessoas saindo da sala. Não sabia ele que estava disperdiçando cliques no festival errado? Ou a intenção era mesmo forjar quórum?
Que sensação horrorosa. Com as pernas ainda bambas e o coração apertado, mega sensibilizado com o drama do casal húngaro, retratado por Béla Tarr, saio do escurinho buscando ar e pronto: sou recebida por um flash, daqueles de ver estrelas!
Xinguei a mãe do cidadão em silêncio. Será que fui a única que se sentiu incomodada com a situação? Vou escrever para a organização reclamando, vou mesmo.

Reflexão

Se eu levasse a faculdade (entenda-se aqui: licenciatura) com o mesmo empenho em que corro atrás das pequenas futilidades da vida, já teria terminado. Meu companheiro de projeto de estágio que o diga. Paciência, meu amigo, paciência.

Fritar é preciso, viver não é preciso.

Mila e sua habilidade de fazer rir

Neste post, eu gostaria de falar sobre a minha irmã. Simples assim: queria divertir as pessoas contando as hilárias experiências dela em campo. Sabe, eu morro de rir com seus emails e mensagens inesperadas no meio da tarde, são ótimas histórias, principalmente quando ela coloca em prática sua psicologia infantil e trava ótimas conversas com criancinhas de três anos. =P
Bom, queria, do verbo querer não é poder. Mila é complexa demais para que se encaixe em poucas linhas e, como todo mundo sabe, quando se explica muito, perde a graça.

(Mentira! A verdade é que eu não consigo escrever nada que não tenha acontecido comigo. Ufa! Boa noite, vou dormir)

Aqui tem um bando de louco

Peguei o ônibus com um bando de louco. Todos sofredores e atrasados para o jogo. Como assim não sabiam que o metrô amarelo só funciona até às 21h?! Pois é, eu também acho um absurdo... E sim, corintiano precisa sofrer muito até para chegar no estádio. O jogo começando e a gente subindo a Teodoro em ritmo de tartaruga. Aiai, até eu estava ficando impaciente, a disputa vale a liderança do campeonato que, no meu raso entendimento futebolístico, não significa lá essas coisas, faltam tantas rodadas ainda.

Desceram na Dr. Arnaldo para continuar o trajeto a pé. Flamengo acaba de fazer o primeiro gol. Que bosta, será que eles já chegaram para incentivar o nosso time?

Coisas da gemelidade 2

Agora que a Mila está na área, escuto com bem mais frequência relatos do tipo: acho que vi sua irmã, era bem parecida com você, mas não era você, era um pouquinho diferente, a roupa era estranha, era a sua irmã, não era?
Ixi, difícil, minha irmã não passa pela Faria Lima, também não acorda cedo nem com reza brava, não sei dizer se foi a esse cinema, geralmente ficamos pelo bairro, e poxa! Dividimos o guarda-roupa!
E agora? Começo a acreditar que existe uma terceira de nós perdida por aí.

Medo de altura

Quando era pequena, ficava muito triste quando meu ditian cantava a música da jardineira. Eu sempre imaginava a menina Camélia feliz, se divertindo em cima de uma árvore, numa tarde ensolarada de verão, até que, por um descuido bobo, ela caía do galho, dava dois suspiros para depois morrer. 
Foi só bem mais tarde que descobri que camélia é flor.

Tenho medo de altura e não subo em árvores.

Alegria

Voltei para casa com dois pacotes de shimeji debaixo do braço, ótimo negócio, estavam em promoção no Pão de Açúcar, tipo dois por um. 
Durante as três quadras que separam o supermercado da porta de casa, vim imaginando o que faria com eles, hummm, que economia! Cheguei pronta e sorridente para dividir minha alegria, até que fui lembrada: Mila não come cogumelos. fuén fuén fuén.
Não é toda alegria que se compartilha... mas tem meio quilo de shimeji me esperando na geladeira. =D

Homens e a capacidade de impressioná-los

Estava lá eu esperando o ônibus para voltar para casa, perto da marginal Pinheiros, onde estranhamente tudo pára de funcionar bem cedo, o metrô às 9 e o último carro que sobe direto para a Paulista, às 22h20.
Um breu, um sono, puxei assunto com o fiscal de linha que escutava o jogo pelo rádio.
- E aí, o Palmeiras está ganhando?
- 2 a 1.
- Opa, está ganhando mas não classifica, hein?
- Ah, você é entendida!
- Precisava de três.
- Olha só, você é entendida! Parabéns.

Como é fácil impressioná-los.
Pensei em responder "não, moço, não é nada disso, é que meu namorado é palmeirense roxo e está agora no Pacaembu", mas não quis desapontá-lo.

Linha Amarela

E em meio a correria maluca do dia-a-dia, quem diria que mais um esporte seria criado em benefício à saúde dos paulistanos? Trata-se da corrida de obstáculos móveis, que já virou febre na nova estação Paulista, do metrô amarelo. As regras são simples: desça, de preferência bem atrasado, na plataforma verde da Consolação e tente alcançar a amarela no menor intervalo de tempo possível, o caminho inverso também é válido. O circuito envolve esteiras rolantes, ultrapassagem em velocidade de idosos e crianças de colo, curvas sinuosas e escadas rolantes fora de funcionamento. Por enquanto, a prática só acontece de segunda a sexta, especialmente nos horários de pico, ainda não se tem previsão de quando as pistas serão liberadas definitivamente. Para aumentar a adrenalina, experimente dar a largada faltando poucos minutos para o fechamento da estação.

Esses dias, apostei corrida com uma provável estagiária de ADM, estávamos ambas de sapatilhas, disputa justa. Ganhei. Mas embarcamos no mesmo trem.

Conversas comigo mesma

Rebeldia:

- Calma, Gabriela, eu sei que você está atrasada e morrendo de fome, mas se continuar puxando o plástico desse jeito, o pão de mel vai cair.
- Se cair, eu como assim mesmo!

Coisas da gemelidade

Outro dia na faculdade, durante a aula de psicologia da educação, uma menina parou na minha frente, curvou-se e, sem nenhuma inibição, me tascou um beijo na bochecha. O carinha do meu lado, parceiro para a discussão do texto, ficou mais sem graça do que eu.

Bom, acho que não é qualquer um que tem o privilégio de receber carinho de totais desconhecidos.

Amor de Carnaval

E abaixo, seguem os singelos versos de João Mauro, o monstro sagrado da poesia mobral.
Ps. a publicação foi autorizada pelo autor! =P

O carnaval foi bonito
Uma festa de muita cor
Meus 10 anos em Olinda
Trouxeram-me um novo amor.

Na abertura da folia

Eu logo percebi
Encontrei o que queria
Quando a Lívia conheci.

Na noite de terça-feira

Confirmei minha impressão
A quarta que era "De cinzas"
Ficou azul desde então.

Ela é de Maceió,
Mas mora no estrangeiro,
Disse ontem que fui dela
O seu primeiro brasileiro.

Me sinto muito encantado,

Pois trouxe lembranças boas
Tenho o coração mergulhado
Nas águas das Alagoas.

Mas não pude mais revê-la
Agora a tristeza é quem ganha
Sabendo que hoje à noite
Ela volta pra Alemanha.

A saudade é muito dura

Quem sentiu sabe o que custa
Ela lá no exterior,
Eu tomando na Augusta.

Mas pra tudo há uma saída
Saber ou explicação
Já lhe cantaram "estúpido"
Acho que não sem razão
Depois de aprontar comigo
Digo CUPIDO CUZÃO!


(JMonstro, o divórcio da razão)

um susto

Aprendi com Eduardo Rascov a escolher a próxima leitura. Funciona assim: se você está numa livraria um tanto perdido, sem saber direito o que procura, pegue um livro aleatório, leia o primeiro parágrafo, se te agradar, leve; caso contrário, vá para o próximo.

Chegaram ontem os livros que a Mila comprou na promoção da livraria Cultura. Pego um Beckett para dar uma folheada. Primeiro Amor, edição linda da Cosac. Na primeira página só uma frase em negrito, bem no limite da folha: Associo, com ou sem razão, o meu casamento à morte. Não me controlo, grito: Ahh, Mila! Você viu como ele abre esse livro?! Ela responde do quarto, "Calma, continua na outra página."... do meu pai, em outros tempos. Ufa.
Beckett fez meu coração parar na primeira linha.

Cães não têm insônia

Foi tudo friamente calculado. O longo passeio no parque, as brincadeiras de correr atrás da bolinha, as caminhadas, o horário das refeições... tudo pensado para que no final do dia a Aika, cachorrinha hóspede aqui em casa, dormisse profundamente, sem estranhar o novo ambiente.
Funcionou! Antes mesmo das onze, Aika já estava capotada no sofá.

E eu? Minhas pernas doem. Quase três da manhã. Me viro e reviro na cama sem resultado.

do que fica engasgado

"Oh well, nothing. I should have said any of those things. I should have used at least one obscenity. I should certainly have threatened him with violence. I shouldn't have hung up on a 'dunno'. These things are going to eat away at me and eat away at me and I'm going to drop dead of cancer or heart disease or something. And I shake and shake, and I rewrite the script in my head until it's 100 per cent proof poison, and none of it helps at all." p. 139

Ah, Paris...

Hoje assisti pela segunda vez o Meia Noite em Paris. Conclusão: deveria ter aproveitado melhor meus dias na cidade luz. Incrível como a Paris de Woody é fotogênica. Fiquei com vontade de voltar, o filme me trouxe uma estranha sensação nostálgica que não é minha. Difícil explicar, é como se eu tivesse adorado Paris, como se tivesse achado tudo lindo, romântico, florido e perfumado (e saí do cinema realmente acreditando nisso!) mas, na verdade, eu detestei Paris.
Sério. Minha experiência não foi das melhores. Me incomodou o jeito francês de ser, estava acostumada com os "excuse me" dos ingleses e estranhei como fui recebida na França. Lá, tudo funcionava com um "hunf-hunf" resmungado pelas suas costas, isso mesmo, eles substituíam o  "sai da frente, você está obstruindo minha passagem e eu estou atrasado" por um mau-humorado "hunf-hunf". Poxa, assim ficava díficil, né? A cidade é um tumultuo, gente vindo e indo por todos os lados, nem bater fotos era possível sem atrapalhar o caminho de um francês.
Talvez eu precisasse de mais tempo para me adaptar ao ritmo da cidade. Voltar no verão não seria má ideia, para aproveitar melhor a chuva que encanta o protagonista Gil Pender, porque vou te contar, a água que caiu no inverno não teve graça nenhuma. Quem sabe numa próxima visita eu não veja os espaços com novos olhos.

Hitchcock de madrugada

Hitchcock fez parte da minha infância. Não lembro bem quantos anos tinha quando assisti Os Pássaros pela primeira vez, lembro só que foi durante as férias, estava na casa da Batian (época boa em que tomava coca-cola com bolinho todos os dias), era inverno e não estava sozinha. Morri de medo. Foi o filme que mais me apavorou antes das abduções alienígenas entrarem na moda. Lembro claramente de mamãe tentando consolar a mim e minha irmã: "Olha só, dá para ver que é tudo de mentirinha! Vão ficar com medo disso?" Sim, ficamos, e muito.
É provável que nem tenha visto o filme inteiro, lembro de trechos que me amedrontaram muito, como aquela parte em que as crianças são atacadas na escola, ou o enxame de pardais que invade a sala pela lareira. Bom, depois desta experiência, as idas ao parquinho ganharam uma nova conotação, passamos a monitorar o movimento das pombas nos fios elétricos, temíamos um ataque.
O caso é que, só depois de anos e anos, resolvi me arriscar a ver o filme novamente. Aproveitei a mostra em homenagem ao diretor no Cinesesc, e peguei a última sessão da saideira, às 2h da madruga. (Fiquei feliz, pelo menos neste horário os ingressos não estavam tão concorridos).
Foi uma ótima surpresa, o filme é muito bom! Não lembrava da história, das personagens, do mistério dos pássaros, para mim era só um filme de terror. Fiquei em estado de êxtase durante duas horas, acabou e eu ainda queria mais. Na saída ainda ganhamos uns mimos do Cinesesc que me ajudaram a recuperar o fôlego: sopinha de legumes delícia e um botton de Psicoce. Quero mais sessão madrugada!!

A eloquente poesia mobral

Sim, sim, sim! Neste blog também há espaço para a chamada poesia mobral e marginal produzida nesse país e, muitas vezes, largada na sarjeta, abandonada ao relendo, ao lado de cães sarnentos. Vamos recuperá-las! (e jogá-las no limbo deste blog)
Começamos com versos de Capelo, A.

A saga do mimado menino prodígio

Procurou nos pais, colegas e amigos, mas não encontrou seu público.
Ninguém parecia entender aquele seu jeito um tanto quanto lúdico.
Recorreu a pinturas naïf, naturezas mortas e um ready-made art único,
Mas nada que abrisse as portas do mais mísero estúdio…

Percebeu, então, que toda aquela incompreensão
Lhe gerava, pelo menos, um fruto garantido.
Suas mal traçadas linhas, de poeta-sensação,
Desvelaram o segredo para ser atendido.

As rimas fáceis, no entanto, o deixavam constrangido,
Ainda mais misturadas a um berreiro de recém-nascido.
Conseguia tudo o que queria, conforme o prometido,
Que pensava ser pela banal poesia, não pelo choro irrefletido.

Sua manha pseudo-poética continuou com os pais amortecidos,
Até o dia em que gritou tanto à frente de um desconhecido,
Que levou logo um tapa-na-cara-cala-a-boca-menino!
Assustado (ou gratificado?) com a força do ensurdecedor zunido,
O mimado menino prodígio achou para sua jovem vida um sentido.
Murmurou baixinho, como promessa para consigo:
“Até o silêncio de John Cage foi ouvido!”

Hoje, os que um dia o conheceram
Perguntam o porquê de seu jeito contido
Mal sabem que nele germina arte pura
Como deve ser, num gênio reprimido.

Adriano Capelo, Poeta Germano, o Alemão Mobral.

Liquidificando

Depois de mais de ano, resolvi revisitar este espaço, sacudir a poeira, colocar ordem na casa e, talvez, voltar a utilizá-lo. Só não sei ainda muito bem para que. Quero guardar recortes, matérias, bobagerias em geral, afinal não é essa a utilidade de um blog?

Começo alterando o título. Agora somos "Liquidificar".
Gosto dessa palavra. Também gosto de liquidificadores. Então, está aí, vou transformar tudo em suco, antes que a cidade me transforme em um.

High Fidelity

"And that's the last time we will ever speak, probably. 'No problem': the last words I ever say to somebody I have been reasonably close to before our lives take different directions. Weird, eh? You spend Christmas at somebody's house, you worry about their operations, you give them hugs and kisses and flowers, you see them in their dressing gown... and then, bang, that's it. Gone forever. And sooner or later there will be another mum, another Christmas, more varicose veins. They're all the same. Only the adresses and the colours of the dressing gown, change." p. 41-42

Posso compartilhar aqui minhas leituras?
Tem coisas que fazem todo o sentido num momento, mas depois passa. Será que se eu registrar em algum lugar ajuda? Não custa tentar, né?