"Mas eis que de repente surgiu diante de mim uma mulher grande e gorda vestida de negro, ou melhor, de malva. Ainda hoje me pergunto se não era a assistente social. Me estendeu uma tigela cheia de um suco cinzento que devia ser chá verde com sacarina e leite em pó, num pires desemparelhado. E não era só isso, pois entre a tigela e o pires se equilibrava precariamente um grande pedaço de pão seco, que me fez começar a dizer, com uma espécie de angústia, Vai cair, vai cair, como se isso tivesse importância que caísse ou não. Um momento depois eu mesmo já segurava, nas mão trêmula, esse pequeno ajuntamento de objetos heterogêneos e oscilantes, em que se avizinhavam o duro, o líquido e o mole, e sem entender como a transferência se efetuara. Vou lhes dizer uma coisa, quando as assistentes socias oferecem algo para você não ter um passatempo, de graça, o que para elas é uma obsessão, não adianta recusar, elas o perseguirão até os confins da terra. (...) Não, contra o gesto caridoso não há defesa, que eu saiba." (p. 44)
Nenhum comentário:
Postar um comentário