Casa de familia

Quando resolvi me arriscar aqui em Londres, achei que seria uma boa ideia passar o primeiro mes numa casa de familia, assim poderia falar ingles e aprender mais sobre os costumes daqui. Na terioria tudo sao flores, mas na partica nao foi tao simples assim, tive uma pessima experiencia durantes as duas primeiras semanas, cai numa 'lar' bizarro, de uma quarentona acostumada a morar sozinha, chata, rispida e cheia de manias e frescurinhas. Aguentei na minha ate o dia em que ela brigou comigo por eu ter voltado cedo para casa, ai foi demais, ne? Reclamei na escola e rapidinho me transferiram de home-stay.

Foi assim que vim parar aqui, na casa de Pauline e sua filha Akida. Nem tenho nem como comparar, que diferenca!

Pauline eh professora de matematica ha uns 15 anos, faz o estilo maezona, daquelas que colocam uma montanha de comida no seu prato, sempre perguntam se voce esta satisfeito e querem saber tudo sobre o seu dia. Akida eh uma jovem de 18 anos, super alegre e espontanea, recebeu esses dias o resultado de seus exames - tres A que faltavam para garantir sua vaga na Universidade -, em setembro comeca a cursar direiro em Warwick.

Foi muito gostoso acompanhar de perto esse processo, ver toda a ansiedade de Akida se transformar em euforia depois que viu suas notas, depois de noites e noites sem dormir. Fiquei tao feliz, lembrei de como eu me senti ao descobrir que tinha passado no vestibular - eh indescritivel.

E tem tambem o Eric, jamaicano, que veio para a Inglaterra ainda garoto, eh amigo da familia e sempre aparece para uma visita. Gosta muito de conversar, eh um tagarela, por isso nos demos bem. Adorei ouvir suas historias do tempo em que Londres era mais gelada, nao tinha aquecedores eletricos e os trens eram a vapor.

E agora estou tristonhazinha, essa eh a minha ultima noite com eles, amanha me mudo para uma casa de estudantes. =(
O tempo passa rapido em Londres.

Missao cumprida

Desembarquei na terra da rainha com uma importante missao a cumprir: A pedido de meu amigo e ex-chefe Eduardo Rascov, trouxe na bagagem uma encomenda especial para o ultimo comunista ingles, Peter Godfrey. Tratava-se da edicao de agosto da revista Brasileiros e do primeiro livro escrito por Rash, "O Filosofo Voador", lancado no mes passado.

Peter e Rash sao jornalistas, se conheceram no Memorial da America Latina uns meses atras e foram juntos para o Rio de Janeiro entrevistar o grande arquiteto (e comunista) Oscar Niemeyer. Para saber mais dessa saborosa aventura, clique aqui.

Bom, depois de desmarcar duas vezes (Londres eh uma cidade imprevisivel), aceitei o convite de Peter para almocar em sua casa no domingo - que otimo convite, nao? Combinamos de nos encontrar as 13h, na estacao de metro Bethnal Green. Tentei levar em conta a pontualidade britanica, mas nao teve jeito, cheguei 15 min atrasada. Peter ja estava me esperando proximo a bilheteria. O dia estava lindo, um solzinho um tanto incomum para os dias londrinos, fomos caminhando ate sua casa pelas margens do canal que corta o enorme Victoria Park.

Peter mora num aconchegante e espacoso sobrado ingles. No momento, hospeda um amigo chileno, que tambem toca em sua banda de musica latino-americano. No fim de semana anterior, eles se apresentaram no Pais de Gales. Nas paredes da cozinha fotos e recordacoes de suas viagens, nas estantes da sala uma bela colecao de livros e cds. O jornalista fez questao de me mostrar seus albuns brasileiros, entre Chico Buarque e Elis Regina achei Falamansa, Vitor e Leo e Banda Calipso. "Eh bom para dancar", justificou.

O almoco foi otimo. Peter preparou tudo enquanto eu me deliciava com pistaches e suco de maca, fez uma salada caprichada, com batatas colhidas do quintal e para acompanhar um vinho chileno.

Assunto nao faltou, quando olhei no relogio me dei conta que ja passava das seis (e eu que tinha ficado de voltar cedo!). Mas tambem, Peter me deixou tao a vontade que ja estava me sentindo em casa. Foi impossivel recusar o convite para um autentico cha ingles. Experimentei o scone, uma especie de pao doce com passas que se come com geleia e creme (hummm...).

Peter tentou me ensinar as regras do cricket (sabiam que uma partida internacional dura cinco dias?!), comparamos expressoes inglesas e brasileiras, e me sugeriu varias leituras, deu dicas de passeios. Enfim, foi tudo otimo, sai da casa do ultimo cominista ingles mais leve - nao literalmente, ne? depois de tantas guloseimas...

Covent Garden

Ja tinha mais de uma hora que de estava de pe, em frente a saida do metro de Covent Garden, esperando Marilia, uma brasileira que havia conhecido num churrasco e que me prometera vender seu skyphone usado por 15 pounds antes de voltar para o Brasil. Marilia tem jeito de boa moca, mas ja tinha me dado um baita cano na noite anterior. Cada minuto que passava aumentava minha ansiedade. Para evitar roer as unhas, resolvi apelar para um livro. Estava dificil me concentar, fazia uma longa parada entre os paragrafos para checar o movimento da estacao.
Covent Garden eh um bairro fervilhante, cheio de baladinhas, pubs e muitos turistas. O metro eh ponto de encontro da galerinha que vai virar noite a dentro. Um monte de gente passando apressada, rindo alto, no meio de turbilhoes de flyers das baladas. Todo esse movimento me deixava mais insegura: e se Marilia passar e eu nao ver?
Consegui ligar para ela antes da bateria do celular acabar (por que eles sempre nos deixam na mao?). Marilia estava feliz por ser sua ultima noite na cidade e me informou que estava bem atrasada, era para espera-la que chegaria em meia hora, mas isso tinha sido as 9! Que droga!
Foi quando parou do meu lado uma meninha linda, loira de olhos claros, cabelos cacheados, saia florida um pouco acima do joelho, chinelinho de dedo e unhas pintadas de um vermelho estranho.
"Me empresta seu celular?" - perguntou sem usar o excuse-me. "Poxa, meu celular acabou de morrer!". Quando falei que era brasileira, ela nao vacilou: "Tem um bar brasileiro aqui do lado, o Guanabara, vamos?". Na hora lembrei das meninas que estavam distribuindo flyers que davam direito a uma caipirinha gratis nesse bar. Bom, ela tinha sido mais rapida, ja estava com os papeizinhos na mao. Tive que explicar que estava ali esperando uma amiga e que nao sabia o quanto tempo ia demorar. Nao perguntei o nome dela, mas ficamos de nos ver no bar.
Acho diferente esse jeito ingles de fazer novos amigos. Comeca com uma abordagem casual e no final sempre termina com um convite para uns drinks. Meu lado caipira e desconfiado ainda nao se acostumou com esse tipo de coisa. E no final, Marilia apareceu quase 11h. Ufa! Agora tenho um skype phone! Vou ficar o dia inteiro conectada, entrem para conversarmos! =)

Puppet

Em um dos primeiros dias em Londres ate tentei descobrir novos talentos para ganhar um trocado... mas eh dificil, viu! =P
Esse ai do lado eh o Celso, brasileiro que ganha a vida animando as tardes com seu bonequinho John Lennon, na frente da National Gallery. Super gente boa, ele me deu umas aulinhas.
Celso eh casado com uma espanhola, ja rodou o mundo e esta na cidade tem uns oito meses, logo mais levanta acampamento e se muda novamente. Bom, o engracado foi o comentario que ele fez a respeito da capital do mundo: "Londres eh uma favela!". Nao tive como discordar. =P

Lagarteando

Ah, o verao! Como eh gostoso aproveitar as horas de sol do melhor jeito ingles: lagarteando nas pracas e parques.
E que aqui o tempo eh muito doido e, apesar de chamarem isso de summer, do nada o ceu fica todo cinza e cai a temperatura. O sol desse lado eh muito timido, nem parece o mesmo, gosta de brincar de esconde-esconde. Dai a gente aprende a valorizar cada instantezinho de carlor.
Londres tambem eh uma cidade privilegiada, tem imensas areas verdes espalhadas por todos os lugares. Eh muito convidativo! Nao tem como nao aproveitar!
A canga ja virou item obrigatorio, esta sempre na bolsa!

Cartoes Postais

Acho que estava faltando umas fotinhos dos pontos turisticos de Londres nesse blog, ne?





Notting Hill

Encontrei o bairro mais agradavel de Londres, eh Notting Hill. Igualzinho ao filme... casinhas aconchegantes com floreiras na entrada, ruas charmosas, lojas moderninhas, livrarias, sebos e brechos. Aiai...
Os precos tambem eram bem convidativos, pela primeira vez na viagem tive que me controlar para nao abrir a carteira!
So ficou faltando encontrar a livraria do Hugh Grant, ja pensou? =)
O dificil foi voltar de la. Eu e meu companheiro de aventuras, o mineiro Guilherme, tivemos que ziguezaguear pelo metro. Eles simplesmente fecharam a saida de umas estacoes de trem... uma droga, do nada descobrimos que seriamos obrigado a fazer uma rota alternativa, beeem mais longa. =S

City tour as cegas

Alguns dias em Londres e jah deu para perceber que a vida aqui eh uma confusao. Gente entrando e saindo de tudo que eh lado. Eu estou perdida, rodopiando por entre elas que nem barata tonta mesmo. Nao eh que seja um caos generalizado, a cidade tem uma certa logica - o problema eh que isso ainda eh um grande misterio.
E a palavra preferida desse povo eh sorry. Sorry pra ca, sorry para la. Sorry, pisei no seu pe. Sorry, eu quero passar. Sorry, nao entendi. Sorry, I m sorry! Ai, que exagero!
Sorry, eu reclamo demais.
Agora a parte legal: Em que outro lugar do mundo seria possivel fazer um city tour as cegas sem nunca se perder??
Eh uma delicia ir dobrando as ruas londrinas sem destino certo, em cada esquina uma surpresa - Portrait Gallery, Brithish Museun, London Eye, River Thames... e por mais voltas e voltas que de, sempre acabo caindo na boca de um metro. Nem EU me perco aqui.


Brazilian day

Eu sei, eh terrivel. Meu primeiro dia em Londres, depois de um dia super cansativo de viagem - dez horas de voo mais quatro esperando conexao em Amsterdan - foi no Brazilian Day.
Sueme, amiga brasileira que esta por aqui tem um mes e meio me levou. =)
Era soh para ter certeza mesmo... como aqui tem brasileiro! e latino-americano, e indiano, e gente do mundo inteiro exceto ingles. Por isso Londres eh a capital do mundo, eh impossivel nao encontrar alguem que fale a sua lingua.
Minhas primeiras impressoes nao sao as mais felizes. (que droga!)
Londres eh suja e baguncada, como Sao Paulo. A unica diferenca eh que aqui faltam os excluidos.
Ja avisei: se alguem me parar na rua pedindo dinheiro volto imediatamente para o Brasil!