Mila aprendeu a jogar cartas quando ainda era criança, devia ter uns dez anos, não mais que isso. Olhava os adultos jogando durante os encontros de família e queria participar de todo o jeito. Um dia, nas férias, pediu para o nosso Ditian ensiná-la. Pronto, passou-se assim a tradição para mais uma geração. Incrível como ela pegou o jeito rápido. É que o Ditian não foi um professor dos mais fáceis: trapaceava escondendo cartas e ainda blefava para deixá-la insegura: "Tem certeza que vai jogar essa carta?" ou "Carta do meio, essa é boa! Compra!". Para ele, não tinha esse negócio de passa-tempo, brincadeira em família ou coisas assim; jogava para ganhar.
No fim, ele criou um monstrinho. Mila superou o mestre, joga muito bem, mas diferente do avô, fica sempre em silêncio, não antecipa jogada nenhuma. Tem sangue frio, organiza as cartas na mão e, quando você menos espera, começa a baixar os jogos um a um, faz as canastras e bate, te enfiando prazeirosamente no buraco, sem dó nem piedade. É nessa hora que, normalmente, eu tenho vontade de virar a mesa e gritar: "Cuzona, não jogo mais com você!"
É verdade, eu sou a piorzinha da família... me embaralho toda na hora do descarte, nunca sei que carta jogar fora e, às vezes, seguro o jogo todo cartas sem importância. Nessas horas imagino Ditian me assistindo: "Tsc, tsc, tsc, mas essa aí não aprendeu nada comigo mesmo."
É verdade, eu sou a piorzinha da família... me embaralho toda na hora do descarte, nunca sei que carta jogar fora e, às vezes, seguro o jogo todo cartas sem importância. Nessas horas imagino Ditian me assistindo: "Tsc, tsc, tsc, mas essa aí não aprendeu nada comigo mesmo."
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