Peixinho Beijoqueiro
Era um legítimo beijoqueiro, meio laranja, amarelado e, dependendo da luz, dourado. Um ótimo animal de estimação, não sujava o tapete, nem chorava por comida; não tinha medo do escuro, nem precisava passear lá fora. Colaborava com a decoração da casa, ornando com o abajur marfim posto ao lado do aquário. Como se não bastasse, distribuía beijos independente de cor, credo ou casaca de futebol. Era beijo pra toda obra! Perfeito, não fosse sua tendência suicida.
Sim, sofria de depressão. Fruto da precoce separação da família? Não sei, o caso é que pulava fora do aquário sempre que a sala esvaziava. Na primeira tentativa, foi salvo por uma esbaforida faxineira, que viera correndo atender o telefone. Na segunda vez, confundiu-se, não percebeu que na sala ainda havia alguém mais, escondido atrás do jornal. Na terceira, assustou as crianças que chegavam da escola. Na última... sucesso!
Seu corpo foi encontrado duro e sem vida, numa pocinha d'água fria.
Já tentaram óleo de peroba, lustra-móveis, cera, vaselina.. nada apaga a amarga marca desbotada, carimbada no assoalho de madeira.
(memórias capelianas)
O Palhaço
Atenção: SPOILER! Se vc ainda não viu O Palhaço, de Selton Mello, é melhor parar por aqui.
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Não tem jeito, peço licença desde já, mas tenho que aproveitar este espaço para registrar minha indignação.
Fui com a maior das boas intenções assistir o novo filme de Selton Melo, O Palhaço. A crítica, pelo pouco que tinha lido, parecia bem receptiva, elogiando as cores, o clima nostálgico, as atuações e tudo o mais. E é verdade, tudo ia perfeitamente bem, dentro dos conformes, até que o discurso central da história deu as caras... e ai, salve-se quem puder!
"O gato bebe leite. O rato come queijo. Eu sou palhaço." diz o Palhaço Valdemar (Paulo José) na tentativa de convencer seu filho a continuar no circo.
Sim, o pai é palhaço, o filho é palhaço, você é cortador de cana e aquele ali é o prefeito, tudo como deve ser!
Assustador, não? Mas é bem isso que o filme prega. Se você nasceu para palhaço, meu querido, contente-se em fazer os outros rirem.
Arght! Quase cai da cadeira. E o pior é que nada acontece, o final só serve para reiterar esse discurso barato. Todo o conflito criado vai morro abaixo, o palhaço triste e desajustado com a vida no circo, retorna ao lar com uma certeza, a de que é mesmo palhaço. Deprimente.
Sono e cinema
Foi também com o Rash que aprendi a dormir no cinema. Sim, antes eu era tola e inocente, sempre lutava contra a necessidade biológica que é cerrar as pálpebras e dormir. Tinha que me manter acordada até o fim, mesmo naquelas sessões mais chatas e sem sentido. Me contorcia na poltrona, evitava até piscar, mas desligar não era uma opção. Perdi algumas batalhas, é verdade, mas não sem remorso.
Até o dia em que comecei a ver filmes com Rash. E não dava outra, toda vez que olhava para o lado, lá estava Rash tirando o seu cochilo no escurinho do cinema. "Para que brigar deste jeito com seu corpo? Relaxe, depois de meia hora de sono, vai ver como o filme se torna agradável", dizia ele. Eu, como uma boa discípula, segui seu conselho. Hoje durmo no cinema sem dificuldades. Tem sessões que entro só para tirar aquele soninho gostoso, fugir do barulho da cidade e despertar feliz. Dormir no cine virou um prazer.
Durante esta última mostra de cinema, assisti o pior filme de toda minha vida. Verdade, não é exagero! Geralmente não me preocupo muito com isso, pois na maioria das vezes durmo e pronto. Desta vez não, o filme era tão horrível que nem a trilha sonora se salvava! Era uma mistura pop techno dançante de arrancar os cabelos fio a fio. Sério, foram os 80 minutos mais longos de minha existência. Mas já aprendi, da próxima vez carrego tampões auriculares.
Desmemória
Eu lia Herberto Helder e lembrava de você.
Hoje não lembro mais. Em qual página te perdi?
Hoje não lembro mais. Em qual página te perdi?
Ando tão à flor da pele...
Que ando tirando satisfações até com velhinha dentro de ônibus.
Os últimos acontecimentos têm tornado amargo o meu fim de mês.
Sou uma esponja, não há distinção entre o meio e meu coração.
E não adianta, você nunca vai entender o que significa estar sob o controle dos hormônios.
(Minha mochila está cada vez mais pesada.)
Os últimos acontecimentos têm tornado amargo o meu fim de mês.
Sou uma esponja, não há distinção entre o meio e meu coração.
E não adianta, você nunca vai entender o que significa estar sob o controle dos hormônios.
(Minha mochila está cada vez mais pesada.)
Pergunta
Será que sou eu a louca? (ou o mundo é que é normal demais?)
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Segundo a previsão, o mês será foda. Apertem os cintos.
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Segundo a previsão, o mês será foda. Apertem os cintos.
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Mesmo com a certeza de que não terei tempo para ler nada durante minha jornada diária, levo nas costas vários textos de leitura já atrasada. A mochila fica pesada, porém tenho a impressão de que a consciência fica mais leve.
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