Adri

Termino a primeira aula da manhã, umas 9, e encontro duas mensagens no celular:
"Mano, uma fila gigante no ccbb. Cada maluco!"
"Ta doido, to quase indo embora, não quero ficar nóia assim."
Tsc tsc tsc, é o Adri, na fila dos ingressos para ver algum Bergman rolando na mostra (concorridíssima!!) do ccbb. Minha vontade foi responder algo do tipo: "too late, darling, você já faz parte do clube". Mas me contive, muito cedo para provocações, não?
É engraçado frequentar essas mostras e esbarrar sempre nas mesmas pessoas... o velhinho gordo e  espaçoso, que fala alto e fede urina; o senhor das sacolinhas plásticas, que faz mor barulho e carrega sempre um refri de 2l para matar a sede durante a sessão; a velha chata, que reclama de tudo, mas não percebe que é a que mais incomoda; os catálogos-freak, aqueles que ao final de cada filme passam procurando por ingressos usados - no ccbb, durante esse festival, se juntar 10, pode trocar por um catálogo. Pô, mas por que fazer os nóias sofrerem tanto? Não dá para vender essa p*^&% logo de uma vez?! Nem eu aguento mais o estresse do povo correndo atrás dos ingressos.
Fico pensando no Adri daqui a alguns anos... Adri vai ser daqueles que voltam do banheiro com a braguilha aberta.

Coisas da gemelidade 5

No ônibus, presenciei uma tentativa de furto. A mocinha desatenta, parada a minha frente, não percebeu que o homem ao seu lado estava de olho em sua mochila. Ele tinha mãos escorregadias, que procuravam, disfarçadamente, encontrar os objetos de valor da garota.
Tudo péssimo, não fosse meu sangue samurai falando mais alto. Não pensei duas vezes, chamei a atenção da menina e contei o que estava acontecendo. (ohh!! aplausos da platéia)
Acontece que o bandidinho não gostou e ficou me encarando até descer na próxima parada. Eu, como uma boa justiceira, encarei-o de volta (não sem sentir aquela alfinetadinha de medo na espinha dorsal, é claro), mas afinal quem estava errado era ele. Depois, fiquei me sentindo a verdadeira Mulher Maravilha.
Até contar a história para o Adri que me preocupou..."e se o ladrão te marcar?!"
Bom, nesse caso é melhor avisarmos a Mila também.

Hábitos Paulistanos

Quando estou atrasada logo cedo, passo no café aqui do lado e compro um pão de queijo para comer a caminho do trabalho.
Sábado, 9 da manhã: uma garota caminha mastigando um Big Mac.

Regras de etiqueta para dias de chuva

Não sei o que acontece, também não me lembro se todo ano é assim, mas que chuva é essa que não pára nunca em São Paulo? Não aguento mais andar com a meia encharcada. Carregar guarda-chuva então, odeio! E nem vou falar do congestionamento, afinal todo mundo já sabe como a cidade fica, não é mesmo?
Vamos logo ao que interessa. Quero aproveitar esses dias e mais dias debaixo d'água para lançar o... (música de suspense) MANUAL DE ETIQUETA PARA DIAS CHUVOSOS. Isso mesmo, vou dar uma  de Glorinha Kalil e começar a distribuir pelas ruas um guia prático e útil de boas maneiras, voltado especialmente para melhorar a convivência humana mesmo com as intempéries rotineiras -, livro que, com certeza, faz falta na estante de muito paulistano por aí.
Tem coisa pior que gente mal-educada munida de guarda-chuva? Então lá vai:
Dica 1: Seu guarda-chuva não é uma arma, controle seu impulso assassino. Não adianta, está chovendo e você não é o único que chegará atrasado, engula a raiva e siga o fluxo, nada de ziguezaguear pela calçada. Lembre-se: um guarda-chuva = quatro pessoas.
Dica 2: Não seja egoísta. Se você não é um personagem do Maurício de Souza, então não vai precisar de 2m² de proteção só para você, manere no tamanho da sombrinha.
Dica 3: Se estiver dirigindo, dê preferência ao pedestre. Por mais ruim que esteja o seu dia, pelo menos suas calças não estão molhadas até o joelho.
Dica 4: Seja rápido ao subir no ônibus, se aperte como puder, mas evite deixar os outros passageiros na chuva, enquanto você procura na bolsa o bilhete único.
Dica 5: Pô, se vai ficar com o guarda-chuva aberto, saia debaixo da proteção da parada de ônibus.
Dica 6: Eu sei que é chato tomar uns respingos na cara, mas se fecharmos todas as janelinhas do coletivo, que ar iremos respirar?

Dica 7: Última dica, mas a que mais me incomoda. As palavrinhas mágicas continuam valendo. Como dois guarda-chuvas não ocupam o mesmo lugar, dar passagem é sinônimo de boa educação. Caso alguém faça isso por você, não se esqueça de agradecer.



Pronto. Mesmo molhado, seja consciente.  Boa chuva a todos.

Serge, Jane e Nana

Toda vez que assisto um filme sobre o Serge Gainsbourg, volto apaixonada pela Jane Birkin. Não consigo evitar, vai ser linda assim na conchinchina!
....

Je Suis Venu Vous Dire
Documentário sem nada de muito novo, mas bonito. É legal escutar o próprio Serge falando de sua história. Só um defeito bem anticlímax: no meio das entrevistas, colocaram umas dramatizações horrorosas e sem sentido. No mais, gostei da parte em que aparece Nana, a bull terrier, presente de Jane.

Segundo Serge, na Inglaterra, ele passeava com a cadelinha e só escutava elogios, do tipo: "que ótima escolha! Melhor raça não há!"

Porém, ao atravessar o Canal da Mancha... "Mas isso é um porco ou uma ovelha?" Nem preciso dizer mais nada, né? Pobre Nana...

Mulheres, fiquem atentas!


Pego a mesma linha de ônibus três vezes por semana e, praticamente, atravesso a cidade dentro dele. O transporte público em São Paulo, como todos sabem, deixa muito a desejar e, mesmo no meio da tarde, horário em que costumo tomar o coletivo, ele segue cheio até o ponto final, no Terminal Santo Amaro.

O caso é que, alguns dias atrás, presenciei uma situação horrível! No meio das pessoas, um homem ejaculou, sem pudor nenhum, na perna de uma moça que estava sentada ao meu lado! Isso mesmo, ele ejaculou! Não tenho palavras para descrever quão indignada fiquei. Tanto ela, como eu, não tivemos uma reação imediata, na verdade, demoramos um pouco para entender o que havia acontecido; tempo suficiente para o tarado deixar o ônibus correndo e fugir. Na ocasião, ofereci-me para acompanhá-la até a delegacia mais próxima e fazer uma queixa, mas ela estava muito transtornada e só queria voltar para casa o mais rápido possível. Eu não insisti.

Lembro que fiquei muito mal no trabalho, pensei em ir até a delegacia sozinha, mas me faltaram forças, acabei deixando a história de lado, um pouco por acreditar que nada mais poderia ser feito.

Acontece que voltei a encontrar o mesmo maníaco no ônibus. Gelei e me arrependi muito de não ter feito nada. Eu estava sentada e ele parou do meu lado, com o casaco enrolado no braço, escondendo a mão, na altura da cintura, exatamente como na primeira vez que o vi. Foi horrível! Pensei em pegar o telefone e chamar a polícia, mas como iria fazê-lo com o tarado tão próximo? Minha reação foi virar de lado, em direção a ele e encará-lo nos olhos, descaradamente. Ele percebeu que eu o havia reconhecido e desceu no ponto seguinte. Fiquei aliviada momentaneamente, mas sei que esse tarado deve ter pego o ônibus seguinte e agredido outra mulher!

Para minha surpresa, eu não fui a única a reconhecê-lo. A senhora que estava sentada ao meu lado também se lembrou dele e me contou um episódio parecido, no qual ele ejaculava em uma menina que estava dormindo. Isso quer dizer que é uma violência frequente! Conversei com várias outras mulheres dentro do ônibus, descrevi-o fisicamente para que, a partir de então, todas ficassem mais atentas. Desci do ônibus com a certeza de que devia procurar ajuda e denunciá-lo! Eis que começa outra novela...

Por sugestão de uma das passageiras, liguei para o disque-denúncia (181), número que aparece gigante atrás de todos os ônibus municipais da cidade. Falei com a atendente Cecília, que antes mesmo de ouvir minha história, disse que não poderia fazer nada para me ajudar. Eu retruquei perguntando qual era, então, a utilidade do disque-denúncia. Segundo ela, serve para tráfico de drogas, pirataria, maus-tratos contra animais, idosos, crianças... E violência contra a mulher?? Não, para isso tem o 180, foi o que ela sugeriu.

180 é o telefone da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que trata de violência doméstica. Bom, não custava tentar. De cara, também, a atendente desconversou e pediu para que eu acionasse a polícia civil, telefone 197. Tentei umas cinco vezes e todas ligações caíram. Então, resolvi ligar para a prefeitura e falar com a SPTrans, liguei 156. A resposta foi “você tem que ligar é para a polícia militar, tirar uma foto do suspeito e fazer boletim de ocorrência!”

Que burocracia absurda é essa? É por isso que milhares e milhares de maníacos continuam se aproveitando de nós! O caminho da justiça é tortuosíssimo, me sinto completamente só e desprotegida, de mãos atadas mesmo.

Não, ainda não liguei para a polícia militar, depois de passar meia hora pendurada no telefone, precisava de um tempo para respirar. Quem sabe eles tenham mais consideração ou tomem alguma providência se eu for pessoalmente até uma delegacia ou se eu escrever relatando tudo para as ouvidorias de todos os lugares em que (não) fui atendida. Não sei. No ônibus, as mulheres falaram que eu devia ter gritado, pedido para o motorista fechar as portas e chamado bastante atenção para que o depravado tomasse uma surra dos outros homens do coletivo e, assim, aprendesse a lição. Já me sugeriram que carregasse minha própria “arma”, no caso um canivete suíço. Medo de São Paulo e da violência em que a cidade está submersa. Será mesmo que justiça só com as próprias mãos?

....

Hoje, fui a uma delegacia da polícia militar. Nada diferente dos outros lugares. Sabe o que ouvi? "Mas nesse ônibus não tinha nenhum homem, não? Para dar uma sova nesse maluco!?"

Estou indignada!! Algo tem que ser feito, violência desse tipo, não pode continuar impune! Quero, no mínimo, tomar um ônibus na cidade sem que um tarado goze em cima de mim. Acho justo, não é nenhum pedido absurdo.

Nos ônibus municipais falta informação. Por exemplo, para solicitar ajuda, você deve ter em mãos o número da linha, além do destino e ponto final. Eu, por exemplo, nunca lembro, sempre vou pelo  trajeto. Então, por que não colocar esses dados também do lado de dentro? De preferência junto de cartazes gigantes lembrando que violência contra a mulher é crime grave, mais telefone de emergência e foto de suspeitos.

....

Já vejo as manchetes nos jornais em caixa alta:

"PASSAGEIRA DE 27 ANOS UTILIZA CANIVETE SUÍÇO PARA EVITAR ATAQUE DE TARADO EM ÔNIBUS NA CAPITAL"