Na cadeira do cabelereiro

"Estou cheia de cabelo branco, se você achar algum pode arrancar, viu?"
"Então, acho que não vai dá pra tirar todos..."

Ahhhhh!

Num acesso de raiva, me livro violentamente da capa protetora de corte que aperta meu pescoço, jogo-a no chão, piso, chuto. Voo em direção ao balcão. Tesoura, escovas, grampos, presilhas vão pelos ares. O secador de cabelo vira uma arma giratória, com ele quebro os espelhos. Arranco os posteres da parede. Viro as cadeiras, uma delas arremesso contra a porta de vidro da entrada. Grito. Grito muito. Abro a carteira. Deixo o valor do corte em dinheiro na mesinha da recepção. Saio em silêncio.

....
Quando a gente se conheceu, eu não tinha cabelos brancos. A visita do tempo é realmente cruel.

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