Sono e cinema

Foi também com o Rash que aprendi a dormir no cinema. Sim, antes eu era tola e inocente, sempre lutava contra a necessidade biológica que é cerrar as pálpebras e dormir. Tinha que me manter acordada até o fim, mesmo naquelas sessões mais chatas e sem sentido. Me contorcia na poltrona, evitava até piscar, mas desligar não era uma opção. Perdi algumas batalhas, é verdade, mas não sem remorso.
Até o dia em que comecei a ver filmes com Rash. E não dava outra, toda vez que olhava para o lado, lá estava Rash tirando o seu cochilo no escurinho do cinema. "Para que brigar deste jeito com seu corpo? Relaxe, depois de meia hora de sono, vai ver como o filme se torna agradável", dizia ele. Eu, como uma boa discípula, segui seu conselho. Hoje durmo no cinema sem dificuldades. Tem sessões que entro só para tirar aquele soninho gostoso, fugir do barulho da cidade e despertar feliz. Dormir no cine virou um prazer.

Durante esta última mostra de cinema, assisti o pior filme de toda minha vida. Verdade, não é exagero! Geralmente não me preocupo muito com isso, pois na maioria das vezes durmo e pronto. Desta vez não, o filme era tão horrível que nem a trilha sonora se salvava! Era uma mistura pop techno dançante de arrancar os cabelos fio a fio. Sério, foram os 80 minutos mais longos de minha existência. Mas já aprendi, da próxima vez carrego tampões auriculares.

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