Sim, sim, sim! Neste blog também há espaço para a chamada poesia mobral e marginal produzida nesse país e, muitas vezes, largada na sarjeta, abandonada ao relendo, ao lado de cães sarnentos. Vamos recuperá-las! (e jogá-las no limbo deste blog)
Começamos com versos de Capelo, A.
A saga do mimado menino prodígio
Ninguém parecia entender aquele seu jeito um tanto quanto lúdico.
Recorreu a pinturas naïf, naturezas mortas e um ready-made art único,
Mas nada que abrisse as portas do mais mísero estúdio…
Percebeu, então, que toda aquela incompreensão
Lhe gerava, pelo menos, um fruto garantido.
Suas mal traçadas linhas, de poeta-sensação,
Desvelaram o segredo para ser atendido.
As rimas fáceis, no entanto, o deixavam constrangido,
Ainda mais misturadas a um berreiro de recém-nascido.
Conseguia tudo o que queria, conforme o prometido,
Que pensava ser pela banal poesia, não pelo choro irrefletido.
Sua manha pseudo-poética continuou com os pais amortecidos,
Até o dia em que gritou tanto à frente de um desconhecido,
Que levou logo um tapa-na-cara-cala-a-boca-menino!
Assustado (ou gratificado?) com a força do ensurdecedor zunido,
O mimado menino prodígio achou para sua jovem vida um sentido.
Murmurou baixinho, como promessa para consigo:
“Até o silêncio de John Cage foi ouvido!”
Hoje, os que um dia o conheceram
Perguntam o porquê de seu jeito contido
Mal sabem que nele germina arte pura
Como deve ser, num gênio reprimido.
Adriano Capelo, Poeta Germano, o Alemão Mobral.
Um comentário:
Genial esta poesia. Parabéns pelo blog.
Abraços!
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